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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Corrida contra o tempo

Em junho vou-me embora de Pequim e digo adeus à China. Na verdade nunca será um verdadeiro “adeus”. Em 2009 passei quatro ou cinco dias em Pequim e mais uns dez distribuídos por Xangai, Hong Kong e Macau. No rescaldo dos Jogos Olímpicos, debaixo de um sol abrasador, uma poluição que não dava tréguas e com a objetiva apontada às praias de Bali e de Timor-Leste (onde fomos viver cerca de 1 ano), não nos passava pela ideia que um dia cá voltaríamos. Nunca digas nunca!…já lá diz o velho ditado popular. Mesmo que não volte a pisar solo chinês, este país estará para sempre gravado na minha memória e continuarei a seguir com toda a atenção o que por aqui se passa. Restam-me, portanto, cinco meses para fazer tudo aquilo que ainda me falta fazer, visitar o máximo que puder e despedir-me fisicamente de cada pessoa, cada esquina, cada café, cada mercado, cada parque que me arrancou um sorriso e me fez dar graças por aqui estar e aqui viver. Cinco meses parece até uma eternidade mas acreditem que o tempo passa a voar. Então não é que ainda agora aqui cheguei e já estou a pensar na hora da despedida? Como é que dois anos e meio passaram tão rápido?

Lembram-se das listas que aqui partilhei convosco há uns meses? 

Pois bem! Fiel aos meus princípios de moça de palavra meti pés ao caminho e lá consegui organizar umas saídas em família para que fossemos colocando uns p em algumas coisas. No outono fomos ao parque Fragrant Hills admirar o espetáculo outonal das folhas vermelhas e admirar também as filas intermináveis de trânsito só porque metade de Pequim decidiu fazer o mesmo que nós; Lá consegui atingir a marca das dez visitas à Grande Muralha - feito que faz de mim uma garota muito orgulhosa. Acho mesmo que deveria existir alguma espécie de medalha para isto. Vocês não concordam? Como não há duas sem três consegui ainda arrastar-me (e aos meus pais) num único, singelo e gelado dia de janeiro até aos parques Jingshan e Beihai. Meus caros leitores…vocês não sabem o que é sentir frio até subirem ao topo destes dois parques com temperaturas negativas e um vento forte, gélido e cortante! Consegui sobreviver e, como recompensa, enfartei-me de comida chinesa e água quente mas nem assim consegui aquecer o corpo ou enjoar-me de comer “jiaozi”, “baozi” e “hamburgueres chineses”. Infelizmente não fui visitar o Palácio de Verão depois de um nevão, simplesmente porque ainda não nevou este inverno em Pequim!

Para os próximos tempos estão programadas outras saídas e, quem sabe, mais uma ou outra ida à minha amiga Muralha, aproveitando o facto de termos familiares/amigos que nos vêm visitar em breve!

Por falar em visitas de familiares…como posso eu não falar sobre a visita dos meus pais que se foram embora no início desta semana? Mais um mês e meio de aventuras repartidas por Pequim e as Filipinas naquelas que foram umas férias em família à maneira. O primeiro Natal e Ano Novo que os meus pais passaram fora de Portugal e com calor. Ainda me lembro do primeiro Natal que passei fora de casa e foi logo no calor de Bali. São experiências para nunca mais se esquecer. A presença deles cá valeu milhões. Nenhum dinheiro vale tanto como poder ver os meus filhos felizes a brincar com os avós e eles derretidos de mimos pelos netos. Essa felicidade pura não se compra com cartões de crédito ou débito e vale tudo quando se passam tantos meses de afastamento físico. Para eles, que seguem religiosamente este blog, fica um beijo enorme de gratidão por TUDO! E um “até breve” que junho e os Santos Populares estão quase aí a bater à porta.

Até lá sigam as minhas aventuras pela China…Beijinhos a todos e um excelente 2018!


Parque Fragrant Hills   
Brinde de Natal em Boracay (Filipinas)

Feliz Ano 2018 em Cebu (Filipinas)
9ª visita à Grande Muralha (Simatai)
Beihai Park

Vistas do topo do Jingshan Park

O famoso e delicioso hamburguer chinês


sábado, 28 de outubro de 2017

Baopals + WeChat Wallet - uma parelha do outro mundo!

Uma das coisas mais espetaculares de se viver na China é poder fazer imensas compras online no conforto do nosso sofá, da nossa cama ou até mesmo enquanto bebemos um cappuccino no nosso café preferido. Mais espetacular ainda é poder pagar tudo através de uma aplicação para telemóvel chamada “WeChat Wallet”. 

Eu já aqui falei da trabalheira que foi abrir uma conta bancária no Banco da China e de ter estado uma hora e meia a ser atendida por cinco funcionários para o efeito. De facto foi uma experiência surreal mas desde esse dia que dou por muito bem entregue o tempo que lá “perdi”.

Em Portugal sempre fiz compras online, sobretudo de livros e viagens, com recurso a cartão de crédito, mas as compras online na China batem aos pontos qualquer parte do mundo e nem precisamos de cartões bancários. Em que outra zona do globo é que podemos encontrar sites como o Taobao, o JD ou o Baopals onde se vende de tudo (e acreditem que é MESMO TUDO!)? E poder pagar através do “WeChat Wallet” é a cereja no topo do bolo. O uso desta aplicação tornou-se parte integrante da nossa vida, de tal forma que até nos esquecemos de usar dinheiro vivo. Compras no supermercado? Paga com o WeChat! Um cappuccino e um café? Paga com o WeChat! Jantar num qualquer restaurante da capital? Usa o WeChat! Não convém é esquecer o telemóvel em casa, claro!

Ter o WeChat Wallet no telemóvel com acesso direto à minha conta do Banco da China abriu todo um mundo que até aí me estava vedado. Agora posso abrir a aplicação do meu site preferido – Baopals – e fazer compras à vontade…haja saldo bancário! 😀

O Baopals é um site de compras em inglês (ideal para quem quer comprar mas não se safa muito bem com o chinês) e lá podemos encontrar de tudo: do útil ao fútil, do caro ao barato. Literalmente tudo! De cuecas a cereais, de comida para gatos a leite magro, de Legos a botas, de livros a aviões! É só escolher e pagar! E o mais fantástico é que as entregas são feitas em poucos dias, às vezes de um dia para o outro, e podemos encontrar algumas promoções bem jeitosas.

Chega de conversa, deixo-vos alguns exemplos para que possam tirar as vossas conclusões!


Um conjunto  "mesa macaco" e "cadeiras macaco". Quem não precisa de um em casa?

Fortalecedor de dedos. Na China não sei quem precisará...ao uso que dão aos telemóveis, parece-me que os dedos estão bem fortalecidos!

E que tal um avião? Basta ter 10 milhões de Euros no saldo bancário. 

Umas sandálias-peixe sexy...eu logo vi que era isto que vocês queriam usar nestes dias de verão no outono! :)


Estive bem tentada a comprar estas "lindas" sandálias! 👡
Eis alguns exemplos daquilo que realmente comprei.

Leite de vaca magro de origem francesa 
(12 litros a 1 cada um) 
Faca de cortar pão por 2€

Conjunto de plasticina, moldes e ferramentas

Espiralizador de legumes a 2,40€

Gel de banho - 1l com oferta de 3 mini toalhas + 1 escova dos dentes
4€
E que saudades eu vou ter do Baopals e do WeChat quando for para Jakarta! 😭😭😭

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Faltam 8 meses! 😟😞😞😟

Numa manhã fria e chuvosa de outono como esta, há dois pensamentos que dominam. Por um lado a cada vez mais clara certeza de que aqui é o meu lugar. Não aqui em Pequim, particularmente, mas junto da minha família, daquela que eu construi. Depois há o resto da minha família que, infelizmente, não posso ter comigo a 100% e de quem sinto terríveis saudades todo o santo dia. Não são saudades que se manifestem em desespero mas são aquelas saudades que nos moem todos os dias e que estão sempre lá para nos estragar mesmo o mais perfeito dos dias…porque mesmo o mais perfeito dos dias não é totalmente perfeito porque os meus pais não estão comigo a viver esses momentos tão bons. Ou os maus, já agora. Esta vida de “tai tai” não é só feita de água de coco, piscina, praias paradisíacas e lagostas. Isso tudo faz parte do encanto de se estar na Ásia pertinho desses paraísos e quem por já aqui andou sabe o quão fácil é encontrar estes pedaços de felicidade. O restante tempo que passo em Pequim, sem sol, sem praia e sem mojitos também pode ser muito bom e gratificante ainda que o enquadramento não seja junto à piscina mas no meio do caos e da poluição de umas das maiores cidades do mundo.

Posto isto, tenho que referir o segundo pensamento…aquele que verdadeiramente domina a minha manhã. Faltam 8 meses para dizer adeus a Pequim. O meu ser racional processa rapidamente esta informação e, com toda a sua natureza prática, faz listas. As listas dão imenso jeito às pessoas organizadas como eu (e as desorganizadas não fazem porque não sabem o fixe que é fazer listas!). Eu tenho listas para tudo…mesmo que muitas delas estejam apenas na minha cabeça. Há as listas (quase diárias) do supermercado, as “to-do-lists” do que há para fazer em cada dia da semana, há a lista dos preparativos para Jacarta (escola, gata, casa, etc), há as listas dos países/cidades que quero visitar, as listas das comidas que quero experimentar fazer (e de alguma forma esta lista aumenta diariamente), dos livros que quero mesmo muito ler…e no topo da lista…há a lista do que me falta fazer e visitar em Pequim…e, senhores e senhoras, o meu ser organizado começa a entrar em pânico porque SÓ FALTAM 8 MESES! 

Será que ainda vou a tempo de colocar um p em cada um dos itens? Passear no Fragant Hills Park e admirar a bela paisagem outonal? Visitar o Palácio de Verão depois de um nevão? Visitar 10 vezes a Muralha da China? (Ainda só visitei 8!) Percorrer cada recanto da Praça Tiananmen? Visitar Guilin e Yangshuo? Comer tantos tantos tantos jiaozi e baozi a pontos de ficar enjoada destas delícias e não sentir a sua falta em Jacarta? E o que dizer dos Parques Jingshan e Beihai mesmo no centro da cidade e aos quais ainda não consegui ir?

E porquê Elizabete? E porquê Beta? E porquê Betinha? (sim…há quem me trate por Betinha!), por que razões é que ainda não conseguiste ir a estes sítios todos ao cabo de dois anos e três meses? Ora… há aquelas razões mais óbvias como o conseguir coordenar toda a família com o tempo perfeito (leia-se: níveis aceitáveis de poluição e partículas nocivas à saúde a entrar pelos nossos pulmões adentro a toda a velocidade); recusar convites de amigos para almoçar; preguiça de domingo; marido fora; filho em torneios; festas de aniversário dos amigos dos filhos…

Então, Elizabete (Beta/Betinha), não esperes pelos fins de semana. Aproveita as férias e visita esses lugares todos em vez de ires para praias paradisíacas comer lagostas, beber margaritas e depois vires meter nojo ao pessoal no Facebook e no Instagram. (Sim…eu sei que alguns de vocês pensaram algo parecido com isto.) No entanto, é aqui que entram as razões menos óbvias e que se prendem precisamente com ISTO!

Multidões na Cidade Proibida

Multidões nas autoestradas

Multidões na Grande Muralha

ISTO é o que acontece nesta terra durante as férias. Nós temos férias mas têm também férias os restantes 1. 40 Biliões de habitantes deste país. E para onde é que eles vão? Digam lá! Vão todos visitar estes locais que eu também quero visitar! ISTO é que eu quero evitar a todo o custo.


A verdade é que todos os locais que eu referi são lindos e valem a pena uma visita bem planeada, demorada e, de preferência, sem multidões. E já agora, sobre estes e outros locais de visita obrigatória em Pequim aproveitem para dar uma espreitadela ao texto que eu escrevi há umas semanas para o Blog Alma de Viajante. Está tudo aqui

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Escolhas...

Olá olá a partir de Pequim. Sentada no meu escritório com o meu copo de iced coffee (café gelado) de um lado, o computador à frente e o caderno de mandarim do outro confesso que sinto um certo peso na consciência. Em vez de estar aqui sentada talvez devesse estar no ginásio a perder os 2 quilitos ganhos durante as férias; em vez de estar aqui talvez devesse estar no Mann Coffee (o meu spot preferido para leituras) a ler o volume 1 da Guerra dos Tronos; em vez de estar aqui talvez devesse estar a passear pela cidade a descobrir mais recantos encantadores ou malcheirosos (depende sempre da sorte que se tem); em vez de estar aqui talvez devesse estar a fazer os trabalhos de casa de mandarim que estão em stand by há um mês…

Escolhas. A vida é feita de escolhas e hoje, apesar de a consciência pesar, escolhi estar aqui a escrever-vos. Ter ambos os filhos na escola, o marido a trabalhar e não ter um emprego dá-nos esta liberdade de escolha. Uma liberdade que agradeço todos os dias pois permite-me gerir o tempo como quero e dedicar a minha atenção a algumas coisas que há muito andavam adormecidas na minha vida.  Ainda que não seja nenhum ás na escrita nem uma blogger exemplar, escrever estes pequenos textos e divagar um pouco faz-me bem à alma. Por outro lado, esta vida de stay-at-home mum (não me consigo lembrar de um termo em português que traduza bem esta expressão mas será qualquer coisa como “mãe a tempo inteiro”) tem a desvantagem de ser às vezes muito solitária. Felizmente que tenho as minhas amigas e as minhas aulas e os meus compromissos para me ir mantendo ocupada.

Hoje regresso às aulas de mandarim com muitos trabalhos de casa em atraso e até com pouca vontade de estudar. Lá fora os dias estão quentes e só me restam 10 meses para explorar esta cidade gigantesca. Tanto que ainda não visitei!!! Às vezes penso se valerá a pena investir tempo, dinheiro e neurónios a estudar esta língua tão difícil se daqui a 10 meses já não a vou continuar a usar. As três colegas de curso que conheci há um ano rapidamente se tornaram boas amigas de quem eu vou sentir imensas saudades quando me mudar para Jakarta. O seu sentido de humor, companheirismo e alguma loucura à mistura têm-me proporcionado momentos muito divertidos e juntas temos explorado não só a língua chinesa como também a cidade. E novas aventuras se adivinham para breve! Apesar da preguiça intelectual, rever a nossa laoshi (professora), tentar acompanhar o seu ritmo alucinante e retomar a rotina das aulas vai ser muito bom!

E que dizer da visita dos nossos amigos Sofia, Chico e filhos no início do mês? Que bom que foi tê-los por cá! Duas semanas de muitas aventuras, de explorar a cidade, de dar a conhecer o meu olhar sobre a cidade…e de quase os matar do coração com a nossa condução. Vá…a condução do meu marido (ahahahah!!!) pois eu sou uma condutora exemplar nesta cidade (certo?!?). Acho que eles foram daqui com uma ideia mais real do que é Pequim, do que são os chineses, do que é a comida chinesa e do que é a nossa vida por cá. Quem mais se aventura a visitar-nos?

Na passada quinta-feira tivemos por cá um fotógrafo profissional a tirar fotos à casa. Ao que parece a nossa senhoria gosta mesmo da decoração e também do facto de a casa ser tão arrumadinha e limpinha (palavras da própria)! Pudera…se sou eu que limpo e arrumo tudo sozinha e sem ajudas de ayis (empregadas domésticas)! As fotos vão servir para publicitar o condomínio onde moramos e não ganhámos nada com o facto de abrirmos as portas de nossa casa. Quando a nossa senhoria nos pediu este favor dissemos que sim sem hesitar. Ao contrário do que acontece com a maior parte dos estrangeiros nesta cidade, nós temos uma relação muito boa com a nossa senhoria. Muitos se queixam de serem burlados, de não verem os seus pedidos atendidos ou de serem simplesmente ignorados. Felizmente a nossa está sempre pronta a ajudar por isso não nos custou nada este pequeno favor.

Ontem foi dia de regresso às aulas para o André. Mais um ano na escola que ele adotou como segunda casa e onde sempre foi tão bem recebido e tratado. Nova etapa que não podia ter começado melhor ao descobrir que na sua turma estão também os seus melhores amigos: Rex (coreano) e Karl (estónio)! O sexto ano marca o início da middle school, novos professores, novos desafios e uma puberdade latente. O meu menino que há meia dúzia de dias se encaixava no meu colo e mamava na chucha está prestes a fazer 11 anos. A mafarrica da irmã já regressou à escola há 3 semanas e, apesar de todos os dias reclamar, adora as suas aventuras diárias e multiculturais com os amiguinhos.

Por falar em aventuras, quero só partilhar mais esta convosco antes de me despedir. Como alguns saberão, Pequim está a tornar-se a capital das transações sem dinheiro. Eu explico melhor. Por aqui podem fazer-se compras no supermercado, ir ao cinema, ao café, comprar bilhetes de metro, usar uma bicicleta pública, etc, sem recorrer a dinheiro vivo ou cartões bancários. A única coisa que se precisa de ter é uma conta bancária associada à aplicação WeChat e a partir daí podemos usufruir de todos os serviços que acabei de referir fazendo apenas o scan de um código QR. Nunca senti a necessidade de usar este serviço mas ultimamente tornou-se quase impossível passar ao lado desta coisa a que chamam “WeChat wallet”. E foi assim que ao cabo de dois anos em Pequim me dignei a ir ao banco abrir uma conta para poder associá-la ao WeChat. E é aqui que a verdadeira aventura começa, mais precisamente às 9h de uma segunda-feira à porta de uma sucursal do Bank of China. Após ter sido atendida por não um, não dois, não três mas cinco funcionários do banco, após preencher meia dúzia de documentos, após assinar outras tantas vezes e ter visto os meus passaportes e cartão diplomático repetidamente revistados…após uma hora e meia efetiva de atendimento…eis que FINALMENTE me deparo à porta do banco com uma conta aberta, um cartão bancário na mão, um “WeChat wallet” em pleno funcionamento e um saldo bancário de 2000 RMB (qualquer coisa como 255 Euros).

Por isso já sabem (conselho de amiga), se precisarem de abrir uma conta num qualquer banco na China levem convosco todos os documentos necessários, muito tempo livre e paciência. 


                                                    

sexta-feira, 28 de julho de 2017

40 dias...

40 dias depois está na hora de regressar a casa. À minha espera terei muito calor,  poluição, uma casa bem sujinha, muita roupa para passar a ferro e, sobretudo, a minha Miquinhas cheia de saudade e de miminho. Regresso à minha rotina e ao meu cantinho…ainda que este fique a mais de 9000 km da terra que me viu nascer e daqueles que me deram vida.
Os últimos 40 dias foram tudo menos monótonos mas na hora do regresso há sempre a lista do que ficou por fazer que me deixa com pena de não ter  aproveitado melhor ou gerido melhor o meu tempo. Família e amigos que não se visitaram, petiscos que não se saborearam,  lugares que não se revisitaram…Se fizer bem as contas, muito ficou por fazer e só posso dizer que lamento muito não ter estado com todos aqueles que mostraram interesse em estar comigo e prometer-vos que da próxima vez vos recompenso. Entre partidas e chegadas há sempre muito que se perde e cada vez mais sinto isso na pele. Quero acreditar que não é por mal mas cada um segue o seu caminho, vive a sua vida e, inevitavelmente, ao cabo de uns tempos os caminhos que antes eram paralelos hoje são bem distantes. Valha-nos a Santíssima Trindade da era digital (Facebook, Instagram e Whatsapp) para ir mantendo mais ou menos estável o vínculo que nos une.
Falhas graves nestes 40 dias (não estão por ordem alfabética): ainda não ter ido jantar ao Vingança, não ter ido “turistar”no Porto, não ter comido a picanha do Imperador, não ter visitado o meu primo David, não ter abraçado a minha madrinha Mi, não ter tomado um cafézinho com algumas pessoas, não ter ido dar sangue, não ter comido mais peixe, não ter ido à praia,  não ter feito um piquenique,  não ter comido mais pastéis de nata, mais pastéis de Tentúgal e bolas de Berlim.
Por outro lado, consegui fazer alguns trabalhos de casa de mandarim,  fiz todos os exames médicos que precisava de fazer, li um livro muito interessante e apanhei muito sol para fazer subir os meus níveis de vitamina D que andavam baixinhos.
Se tudo correr bem, daqui a um ano estou de volta para poder gozar mais uns dias de férias no nosso belo cantinho. Até lá vamos trocando mensagens,  telefonemas e “likes” e que a saúde reine na casa de todos nós.

terça-feira, 13 de junho de 2017

É tão fácil gastar dinheiro em Pequim!! 😱😱😱😱😱

Pequim é uma cidade magnífica em muitos aspetos e, apesar de todos os seus defeitos (uns mais toleráveis do que outros), uma pessoa aprende a gostar de aqui viver. Como quando se ama uma pessoa…nem tudo são qualidades, também há alguns defeitos que escolhemos ignorar ou, pelo menos, tolerar.

Uma cidade de contrastes acentuados onde os muito ricos não sabem como gastar tanto dinheiro e os muito pobres lutam diariamente pela sobrevivência. Dirão vocês que é assim em todo o lado. Claro, com certeza têm razão, mas em nenhum outro lugar do mundo se encontra tanto esbanjamento de dinheiro por metro quadrado como aqui. Nos restaurantes, no entretenimento, nos carros, nos centros comerciais…é incrível! Em nenhum outro lugar do mundo se vêm tantos carros de alta cilindrada, caríssimos, como aqui. Em nenhum outro lugar se vêm lojas de alta-costura cheias de clientes como aqui. Comenta-se que também aqui há os “falsos ricos”, aqueles que aparentam ter mas na verdade nada têm. Também os há por cá mas os outros, os verdadeiramente ricos, gastam fortunas num abrir e fechar de olhos.

Pequim é um paraíso para quem gosta de comer bem, para quem gosta de experimentar novas texturas, sabores e cheiros. É também um paraíso para os viciados em compras com algum plafond na carteira. Eu como sou pobrezinha ao pé de todos estes chineses endinheirados, lá vou calcorreando as avenidas e becos desta cidade à procura de algumas pechinchas. Uma das minhas lojas favoritas de sempre é a Miniso. Quem já cá esteve de férias e teve a sorte de se aventurar numa das dezenas que existem espalhadas por Pequim, sabe bem que a Miniso é o paraíso das pechinchas com qualidade comprovada. Esta marca japonesa apostou forte em território chinês e eu só posso dizer: muito obrigada! De chapéus a meias, “tupperware” a escovas de dentes, perfumes a brinquedos…vale tudo!Esta loja passou a ser paragem obrigatória sempre que encontro uma. Não entrar seria um autêntico sacrilégio! Oxalá os japoneses exportem a marca para Jakarta! Hihihihi

As marcas internacionais de roupa, acessórios e perfumaria estão cá todas muito bem representadas mas com os preços inflacionados em relação a Portugal. Em alternativa temos a Uniqlo, também ela japonesa. Ouvi dizer que já chegou à Europa por isso aproveitem para dar uma espreitadela. De vez em quando encontram-se artigos giros e a preços acessíveis.

Fazer compras nesta cidade não é fácil, não só pelos preços exorbitantes de muitos artigos mas também pela escassez de alguns dos produtos que nos são mais familiares. Que falta me faz um Jumbo ou um Continente onde se consegue comprar tudo de uma vez só num único lugar. Semanalmente vou a Sanyuanli comprar carne e às vezes peixe, no Jenny Lou compro leite, no April Gourmet compro pão, no Jingkelong compram-se as cervejas, os dumplings, iogurtes e detergentes, no mercadinho ao ar livre compram-se frutas, legumes e ovos e, quando quero fazer aquelas compras do mês vou ao Carrefour ou ao Metro (igual à “nossa” Makro). E quando tudo isso falha…vai-se a Portugal e trazem-se enchidos, bacalhau e broa de Avintes!

Restaurantes então nem se fala! A lista é interminável. Nunca vi tanto restaurante por metro quadrado como aqui. Há alguns favoritos mas há um que me enche o coração porque é o "nosso" restaurante, o nosso lugar feliz com comida muito pouco saudável mas deliciosa e onde já passamos muitos momentos felizes. O Great Leap Brewpub #12 é uma segunda casa. Conhecemos-lhe os cantos e o menu já o sabemos de cor. Cheira a cerveja em fermentação e a boa disposição. 

E para que não se pense que passo os meus dias a gastar dinheiro, vou só falar-vos de mais um café que adoro e que tem a vantagem de ficar bem perto de minha casa. O Mann Coffee é coreano, o serviço é excelente e a comida e as bebidas são uma tentação. É verdade que os preços são um susto (um cappuccino por 5 euros desanima-me logo pela manhã) mas gosto tanto do ambiente relaxado, acolhedor e sossegado que, quando escrevo os meus textos, gosto de ir para lá e inspirar-me na bonita decoração.

Posto isto, vou de férias! Beijinhos, boas férias para vocês (se for o caso) e até breve!



Great Leap Brewpub #12

Mann Coffee

Miniso

Uniqlo


terça-feira, 16 de maio de 2017

E o próximo destino é...

O prometido é devido. A decisão já foi tomada e, portanto, chegou a hora de vos dar a conhecer a nossa próxima aventura.

O próximo destino é conhecido pelas praias exóticas mas também pelos engarrafamentos monumentais…piores até do que em Pequim! Socorro!!! 

As temperaturas agradáveis durante todo o ano (à volta dos 28°C) contrastam com os altos níveis de humidade, prevendo-se extensos momentos de sauna para os próximos anos! Socooorro!!!

Porque gostamos de lugares onde tudo é em grande, quando sairmos da China vamos para o quarto país mais populoso do mundo (com cerca de 300 grupos étnicos e 742 línguas e dialetos), o maior arquipélago do mundo, o país com maior concentração de muçulmanos do mundo e o segundo maior em termos de biodiversidade. Este paraíso para os biólogos é também uma das suas maiores dores de cabeça pois muitas espécies estão neste momento em vias de extinção devido ao uso abusivo dos recursos naturais e à desflorestação, causando variados problemas ambientais nomeadamente a contaminação das águas e a poluição do ar. Pois é, ainda não é desta que nos livramos da maldita poluição mas pelo menos os valores não são tão assustadores como em Pequim. Vá lá, vá lá…

A área metropolitana da capital (onde iremos morar) tem sensivelmente 18 milhões de habitantes. No passado foi visitada pelos portugueses no ano de 1513 e no século XVII tinha o nome de Batávia.

A localização geográfica também não está nada mal com vizinhos simpáticos como Timor-Leste (um regresso há muito desejado), Singapura, Malásia, Filipinas e Austrália. Já podem imaginar os filmes que a minha cabecinha de viajante está a fazer, não é?

Sonhos e planos à parte, restam-nos 14 meses na China e a contagem decrescente começou. Tanto ainda por visitar, aqui mesmo em Pequim, tanto por explorar, tão pouco tempo para o fazer e a certeza de que este país me vai deixar imensas saudades.


PS. Já sabem para onde é que vamos, certo?