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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

快乐中国新年 Feliz Ano Novo Chinês

Agora que as baixas temperaturas já não estão tão insuportáveis e o meu cérebro parece começar a descongelar, vamos lá pôr os assuntos em dia.

Como devem saber, uma vaga de frio invulgar, até mesmo para os padrões de Pequim, tem atingido a capital e, no geral, todo o território chinês. Nem mesmo as províncias mais a sul conseguiram escapar com as temperaturas a atingir valores negativos em Hong Kong e a vizinha Macau. Difícil de acreditar que daqui a meio ano vamos ter temperaturas de 40° à sombra. Assustador!

Por estes dias tivemos nova onda de idas ao hospital para visitar a doutora francesa. Primeiro foi o papá Souto com uma amigdalite e, logo a seguir, o filho Souto resolveu imitá-lo. Resumindo: 3 dias de enfermagem para mim e falhas ao trabalho e à escola. Esperemos que este “bichinho” tenha ido parar a outras bandas e deixe o resto da família em paz.

Sei que alguns de vós viram uma publicação no Facebook de uma aula de mandarim. Aquela não foi “a sério”. Uma espécie de aula-teste ou, como lhe chamam em inglês, uma “trial lesson”. Serve para ficarmos a conhecer a professora, contactarmos com a língua, conhecermos a metodologia e, no meu caso, serviu sobretudo para me assustar com o grau de dificuldade da língua. 5 tons, minha gente! CINCO!! Esta gente usa cinco tons diferentes para uma mesma sílaba e a diferença no tom equivale à diferença no significado. Isto em termos generalistas, claro! Depois daquela primeira aula ganhei juízo e desisti logo ali…só que não! Eu sou mesmo de desafios e dia 23 do próximo mês, após as férias, tenho encontro marcado com o mandarim! MEDO!

Por falar em aulas, algumas (boas) novidades em relação à Catarina e a sua experiência na creche. Depois de umas semanas de algum stress, parece que a miúda está finalmente a integrar-se. O caminho ainda é longo e tortuoso mas já não chora todo o caminho, já come e até já diz que gosta da “mãe da escola” e da escola em si. É bom senti-la mais confiante e participativa.

Entretanto, dentro e fora de portas, as árvores de Natal dão lugar aos enfeites do Ano Novo Chinês. Diz-se adeus ao ano da cabra e as boas-vindas ao ano do macaco. Esta é, muito provavelmente, a maior festividade deste país e faz com que os chineses se desloquem em massa para visitar os seus familiares. O Festival da Primavera, como também é conhecido, começa com a Lua Nova no primeiro dia do novo ano e acaba na Lua Cheia, que ocorre 15 dias depois. Uma vez que o calendário chinês se baseia numa combinação de movimentos solares e lunares, o Ano Novo Chinês calha em datas diferentes todos os anos.

As celebrações do Ano Novo implicam decorar as casas e as ruas, visitar os familiares, fazer oferendas aos membros mais novos da família e aos deuses e fogo-de-artifício…muito fogo-de-artifício. Por estas razões muitos dos estrangeiros que aqui vivem e trabalham há vários anos são da opinião que esta é uma excelente época para sair do país e procurar paragens mais tranquilas. Aproveitando o facto de as escolas pararem as atividades letivas durante duas semanas, vamos seguir o conselho de muitos e vamos passear. Só não revelamos ainda para onde! Seus curiosos...

A verdade é que vem aí uma ótima notícia a caminho e que nada tem a ver com o nosso destino de férias. A novidade está a ser cozinhada há umas semanas mas ainda não estou em condições de a revelar. Lamento ter aguçado novamente a vossa curiosidade mas vão ter que esperar mais uns dias.

Beijos e até ao próximo texto e não se esqueçam de ir acompanhando este blog no Facebook. 




















sábado, 16 de janeiro de 2016

Seis meses!



6 meses de China… 181 dias de “Nǐ hǎo” e “Xièxiè”… um semestre de odores, sabores, cores e experiências diversas e tão enriquecedoras.

Nem acredito que já se passou meio ano e eu quase não conheço a cidade onde moro. Eu sei que já vos disse que a cidade é grande, enorme, gigantesca mas, acreditem, nunca é demais reforçar essa ideia. Pequim é grande em tudo. Edifícios enormes, uma rede de metro de centenas de quilómetros, avenidas com 4 e 5 faixas de rodagem para cada lado, milhões de carros, milhões de pessoas, milhares de pontes…nada do que eu vos diga vos pode preparar para o impacto que é aterrar nesta cidade. 6 meses depois eu não conheço o meu “bairro”, quanto mais a cidade. Pelo meio revisitei alguns locais e descobri outros mas não tantos quanto desejaria.

Pelo meio também fui a Portugal passar o Natal, Ano Novo e Dia de Reis. Visitei amigos, comi, bebi, resolvi alguns assuntos pendentes, comi, bebi, fiz compras, comi, bebi, visitei familiares, comi, bebi… foram 3 semanas bem passadas, bem comidas, bem bebidas e também bem molhadas! São Pedro adora o Porto e eu até já me tinha esquecido que chove tanto na minha cidade do coração. Por cá quase nunca chove e essa característica de Pequim, desculpem lá que vos diga, bate o Porto aos pontos. Foi muito bom rever os meus pais, matar saudades dos seus miminhos e da comidinha caseira, abraçar velhas e boas amizades mas o regresso e as despedidas doem muito e deixam um amargor no coração. Desfazer o nó na garganta levou o seu tempo e nada melhor do que voltar à rotina com toda a força, atirar-me de cabeça às minhas tarefas e pôr em prática alguns projetos idealizados e algumas “resoluções de ano novo”.

Hoje foi dia de enganar o frio e aquecer o corpo e a alma com um tradicional Hot Pot. Este prato típico chinês é uma espécie de sopa, com ou sem picante, cujos ingredientes são escolhidos por nós e podem ser tão variados como: tofu, carne, peixe, legumes, massa, cogumelos, lótus, etc. Nas mesas estão incorporados os “fogões”, depois colocam-se os ingredientes crus que previamente escolhemos e somos nós que os cozinhamos. De vez em quando vem um empregado “ensinar” como se faz. Tudo num ambiente muito animado e em boa companhia. Foi muito agradável e são momentos que vão ficar gravados para sempre na gaveta das memórias da China. Para os mais céticos, venham até cá e provem. Verão que não se arrependem!

Hoje comecei um novo projeto que já há algum tempo vinha sendo “cozinhado” na minha cabeça. Sei que muitos de vós leem os meus textos e até fazem comentários elogiosos e simpáticos mas às vezes sinto que vos falho por demorar tanto a escrever. As responsabilidades do dia-a-dia nem sempre me permitem ser tão assídua quanto gostaria. Decidi portanto criar uma página no Facebook com o mesmo título deste blog. Espero assim poder dar-vos notícias com mais frequência e chegar a um público cada vez mais alargado.

E para terminar por hoje, uma palavra de agradecimento a todos quantos estiveram comigo pessoalmente ou por mensagem durante as férias de Natal. Foram todos eles momentos muito gratificantes e felizes. E, já agora, um pedido de desculpas àqueles com quem não me consegui encontrar. Foram três semanas mas, acreditem, não cheguei para as encomendas! Fica para uma próxima oportunidade, está prometido! ;)


Hot Pot

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz 2016! Happy 2016!

Chegado o momento de fazer o balanço do ano que agora termina, apenas uma palavra me vem à ideia: gratidão. Entre algumas desilusões, sustos, lágrimas e dificuldades, 2015 foi um ano de muitas conquistas, sorrisos, novas amizades e projetos. 

Mudar de vida não foi uma decisão tomada com leveza ou leviandade mas foi a decisão acertada e da qual não me arrependo. Custa-me muito a separação física dos meus pais, pilares da minha vida e meu grande apoio, custa-me que não acompanhem mais de perto o crescimento dos netinhos que tanto adoram...custa-me que os meus filhos não gozem a presença dos avós que tanto amam...mas a vida é feita de encontros e desencontros, chegadas e partidas, boas vindas e despedidas. 

Deixei o trabalho que tanto gostava de fazer. Sempre fui feliz a dar aulas, mas trabalhar com crianças especiais encheu-me o coração de alegria e proporcionou-me a realização profissional que me faltava. Sei que fui talhada para o fazer e cá dentro fica o vazio (ainda não preenchido) de um emprego que me dê luta. 

Comecei uma vida nova numa cidade tão diferente e distante do meu amado Porto e os desafios diários desta aventura ocupam-me a mente e o tempo. À custa disto acabei por criar um blogue, uma espécie de "semanário" escrito ao sabor da experiência e da disponibilidade. Inicialmente pensado para os meus pais e família mais próxima, acabou por se tornar mais lato e chegar a todos aqueles que sentem um pouco de curiosidade por esta nova aventura da família Souto. A verdade é que escrever estes textos obriga-me a refletir sobre diferentes assuntos, a pôr as coisas em perspetiva e trouxe-me de volta o prazer de escrever que andava há algum tempo "adormecido". 

Conheci pessoas novas, fiz novas amizades, desiludi-me com alguns, surpreendi-me com outros...mas todos trouxeram riqueza ao meu mundo. 

Viajei...muito! E como eu adoro viajar! Istambul, Capadócia, Pequim, Xi'an, Xangai, Hong Kong, Macau... não me posso queixar. A azáfama dos preparativos, os hotéis, as comidas, o contacto com diferentes culturas, a alegria dos nossos...tudo me fascina. Aprendi isso com 15 anos e de lá para cá nunca mais parei de viajar. 

2015 foi, assim, um misto de emoções, um ano de aprendizagem e crescimento. E agora que 2016 se aproxima só posso pedir que venha recheado de novas aventuras, muitas viagens, muitos sorrisos, muita saúde, muita paz...PARA TODOS!!!!!!!!!! Que sejamos todos muito felizes!!!!!!!



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Há 5 dias em Portugal e pouco ou nada fiz além de visitar supermercados, consultórios médicos e lojas. Aos olhos dos "estrangeiros" a crise em Portugal parece ter desaparecido por obra e graça dos santinhos a avaliar pela quantidade de pessoas que se vêm às compras. Espero que sim, mas algo me diz que não. 
Ironias à parte, está a ser muito saboroso este regresso, apesar de alguns contratempos. Logo à chegada ficámos sem luz em casa. Que bela receção dos meus pais, digam lá. 
Já visitámos alguns familiares e amigos mas até dia 9 espero ainda dar muitos abraços e beijinhos, tomar muitos cafés e empanturrar-me de muita comidinha portuguesa da boa. A minha balança vai-se assustar tanto quando regressar a Pequim! Ohhhh God!!!! 
E por falar em Pequim, de boa nos safámos nos últimos dias. Primeiro foram 4 dias de alerta vermelho consecutivo por causa da poluição e agora é o alerta da Embaixada dos EUA que colocou a zona de Sanlitun (onde moramos e onde se encontram quase todas as embaixadas) sob vigilância apertada por suspeitas de ameças contra estrangeiros. Verdade ou não, o que é certo é que os chineses levaram a coisa a sério. A ver vamos se tudo se acalma até ao nosso regresso.
E entretanto o André ficou doente e a Catarina está a ficar também. As crianças têm um sentido de oportunidade fabuloso!! De repente isto fez-me sentir ainda mais que o que realmente importa é estarmos bem de saúde e na companhia daqueles que  se preocupam connosco, que nos amam e nos são mais queridos. Os dias 24 e 25 são só mais dois dias no ano em que devemos fazer os nossos felizes, mostrar-lhes o nosso carinho e amor, estar lá para eles. A esses, à verdadeira família e aos verdadeiros amigos, longe e perto, desejo o melhor do mundo. E aos outros, aqueles que não nos ligam o ano inteiro, que não se preocupam, que nos ignoram, não desejo mal nenhum. Que sejam muito felizes e tenham muita saúde. Isso é o mais importante. 
Com missa ou com desenhos animados, com perú ou bacalhau, com rabanadas ou sonhos, com prendas ou sem elas, sejam TODOS muito felizes, cada um à sua maneira...hoje, amanhã e sempre. 
Um beijinho caloroso e cuidado com a engorda!












quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Contagem regressiva para o Natal

E… já chegámos há 5 meses! Parece que foi ontem toda a azáfama de empacotar, fazer as malas e as compras de última hora, os abraços e as despedidas… e tanto aconteceu em 5 meses! Agora é outra vez a roda-viva das compras de Natal, enfiar tudo nas malas e contar os dias para rever família e amigos…e suportar quase 20 horas de viagens e transferes sem desesperar! Senhores das bombas, misseis, atentados e afins…façam lá umas tréguas que a “je” vai atravessar meio mundo lá bem no alto! Obrigadinha!

A poluição, sempre a poluição. Os últimos dois dias estão a ser dos menos poluídos desde que aqui cheguei com valores entre os 13 e os 46, apenas comparável com os primeiros dias de setembro em que a capital andou a meio gás para as celebrações dos 70 anos da vitória sobre os japoneses na II Guerra Mundial. Antes destes dias maravilhosos tivemos um fim-de-semana nada simpático com valores a atingir os 464 e ainda a semana passada com as autoridades de Pequim a emitir pela primeira vez o alerta vermelho. Agora, se querem que vos diga muito honestamente, o alerta obrigou os chineses a muitas alterações na sua rotina mas resultou pois os valores estabilizaram nos 200 e pouco e não tomaram outras proporções. Contudo, não esqueçamos que nessa altura decorria a Cimeira do Clima em Paris pois esta semana outro alerta teria sido necessário e não se viu nada, nem sequer um alerta amarelo. Por que razão não se emitiu outro alerta vermelho como na semana passada? Como diria, e bem, uma amiga…”ah espera, já acabou a cimeira.” Politiquices, é o que vos digo!
A esta hora que vos escrevo estamos com 42
A semana acabou mais calma depois de quatro dias enclausurada em casa por causa da poluição e das constipações dos filhos. É preciso ter muita imaginação e paciência para não desesperar com dois “chorões mimalhões”, ver o Ruca e a Peppa horas a fio, lavar, passar, arrumar e cozinhar e, ainda assim, conseguir brincar e relaxar! Foi uma semana desafiadora que culminou num fim-de-semana atarefadíssimo: festa de Natal da Delegação da UE, meeting de natação para o André, jantar de Natal do CPP (Clube Português de Pequim) e almoço gostoso em casa de amigos.

Catarina não achou muita piada ao Pai Natal! Hihihihihi
Fui finalmente conhecer o Restaurante Camões – o único restaurante português em Pequim – sito num dos mais bonitos hotéis da cidade, mesmo ao virar da esquina com Tiananmen. A localização privilegiada, o menu português, a companhia e todo o ambiente romântico e festivo do hotel proporcionaram-me momentos de verdadeira descontração. Foi o meu primeiro jantar de Natal em Pequim e foi muito agradável e divertido.

O CPP no jantar de Natal @Legendale Hotel - Pequim
Ontem foi dia de explorar o mercado de Hongqiao outra vez. É a quarta vez que lá vou, a primeira que fui sozinha. Miúdos na escola e ala para o metro de mochila às costas. Viajar de metro sem crianças pequenas é verdadeiramente simples e cómodo. A estação fica a cerca de 8m a pé de minha casa e a viagem de ida e volta custou pouco mais de 1 euro e demorou apenas 30 minutos. Rápido e barato! O problema foi carregar de volta a mochila cheia às costas e mais dois sacos repletos de lembranças para miúdos e graúdos. Que estafa!
Daqui a 2 dias saio de Pequim rumo ao Porto. Só tenho pena de não ter calcorreado mais a cidade principalmente nestas últimas semanas. Gostava de ter sentido o cheirinho a Natal em cada shopping, ver as decorações lindíssimas que dizem ter, beber chocolate quente, passear nos parques e espreitar todos os bazares de Natal organizados por estes dias. Não tive oportunidade de visitar nenhum mas já está na minha to-do-list do próximo ano.
Árvore de Natal no nosso condomínio
Antes de terminar deixo-vos uma atualização em relação à Catarina e a sua adaptação à escola. Depois da semana passada ter estado doente e ter faltado, ontem regressou e as coisas correram melhor do que estava à espera. Ainda não consegue evitar toda a ansiedade e nervosismo quando chega à escola, não toma o pequeno almoço e ainda não brinca com os outros meninos de forma descontraída. Contudo, já noto algumas coisas positivas: começou a almoçar e lanchar um pouco, gosta de ir ao pátio brincar e ouve com atenção as histórias e as músicas. Também adormeceu sem chorar hoje. Aos poucos a minha menina vai gostar de lá estar. O problema vai ser ir de férias e ter que passar pelo processo de adaptação novamente em janeiro. Ai ai ai!!!!!!!!!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Aaaaatchiiiiiiiiiimmmmmm

Há uns dias tinha um belo texto a ser cozinhado, bem pensado, interessante e até um pouco poético. Influenciada pela ida repentina da malfadada poluição, pelo sol radioso que me invadia o domicílio e a calma aparente do dia, tinha tudo para ser um texto agradável… tinha, até tudo ter virado de pernas para o ar.

Bastaram 10 minutos (o tempo que me leva a sair de casa, ir buscar a miúda e regressar) para que a casa, anteriormente silenciosa, fosse invadida por narizes fungosos, espirros, tossidelas, nebulizações, vómitos e choro. Lá está…a primeira e mais óbvia consequência de se ter miúdos na escola: os vírus, as constipações que se espalham, a montanha de lenços de papel espalhados pela casa, mudas de roupa que nunca mais acabam…

Estava a saber bem ter umas horinhas só para mim, para regressar ao ginásio, retomar algumas rotinas, arrumar a casa e vê-la limpa e impecável por mais do que 5 minutos…e, de repente, tudo isso desapareceu. O sol também desapareceu e a poluição que nos tinha dado umas tréguas voltou em grande e amanhã parece que ainda vai ser pior! A mais pequena contaminou o mais velho e agora tenho dois enfermos em casa: lenços de papel a dobrar, espirros a dobrar, tosse a dobrar e uma dor de cabeça que teima em não me abandonar. Estou mesmo precisada de férias! Sim, eu também tenho direito a férias. Pensam porventura que a mulher que não trabalha fora de casa passa o dia no “dolce fare niente”? Experimentem então e depois digam-me se é fácil!

O manto branco de há duas semanas já desapareceu. As árvores estão definitivamente despidas e o inverno está 100% instalado por estas bandas. Embora não tenha voltado a nevar, o canal congelou finalmente e as temperaturas negativas já obrigaram a gastos suplementares com botas de neve, casacos, gorros e luvas. Uma pessoa sai à rua disfarçada de esquimó mas nem assim consegue escapar ao frio!

Ontem foi dia de ir com uma amiga às compras. Uns miminhos para os amigos e familiares que sempre nos têm apoiado. Ainda não está tudo comprado! ;)

Esta semana comecei a ler um novo livro. Estava bastante relutante em começá-lo. O tema é forte (doença de Alzheimer) e diz-me muito. Para já estou a gostar muito mas pressinto que nos próximos dias vou precisar de muitos lenços de papel junto a mim.

Para além de romances, sempre que posso dedico algum tempo à leitura de revistas essencialmente dedicadas aos habitantes de Pequim ou Beijingers como somos chamados. Estão escritas em inglês e muito focadas nos interesses dos estrangeiros que aqui residem dando-lhes a conhecer a cidade e sugerindo atividades interessantes semanalmente. Esta semana chamaram-me a atenção os seguintes números:
- 318 RMB (cerca de 45€) é o valor em média que um habitante de Pequim gasta, por ano, em livros. Pelos vistos leem mais do que o resto do país!
- 43 horas foi quanto demorou a substituir a Ponte Sanyuan. Mais de 1,300 toneladas de material foram usadas para apressar um processo que em média dura, pelo menos, dois meses. Incrível!
- 100 milhões é o número de passageiros que o novo aeroporto internacional de Pequim, situado no distrito de Daxing, irá receber anualmente em 2025. Será o terceiro aeroporto da capital chinesa.

Boa semana a todos e despachem-se a comprar os presentes de Natal!





quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Mãe sofre!

O coração de uma mãe torna-se por vezes tão apertadinho e sofrido…
Não sei como nós, mães, aguentamos, respiramos fundo, colocamos um sorriso nos lábios e acreditamos piamente que tudo vai melhorar. Sinceramente não sei!

Esta semana a Catarina foi, pela primeira vez, para o Jardim de Infância…ou creche…ou pré escola…ou suga contas bancárias…o que lhe quiserem chamar!
Não é uma doença, não é uma intervenção cirúrgica, não são dores insuportáveis… é o início de uma etapa que se pretende que seja saudável, emocionante, enriquecedora, de descoberta, de aventura, de crescimento e desenvolvimento. Deseja-se que seja isto tudo mas, na verdade, estes primeiros dias têm sido de tortura para ela e para os pais. Sei que o coração mole do pai se derrete todo à primeira lágrima da nossa menina. Sei que por isso não a quer levar à escola nestes primeiros tempos deixando para a mãe a tarefa de a levar e engolir em seco as vezes necessárias para não desatar a chorar à sua frente.

Porque é que não existe um botão “on/off” que possamos manobrar consoante a necessidade do momento? Desligávamos o botão do aconchego do lar, do mimo da mãe, da segurança da família e ligávamos o botão da escola, dos amigos e da educadora! Tão mais simples!

Tudo é novidade e confusão naquela cabecinha de dois anos e meio. Por muito que a incentivemos e expliquemos, ela ainda não entende o porquê de não poder ficar com a sua mamã todo o dia. E depois o meu coração apertadinho põe em causa a decisão tomada. Será que é cedo demais? Será que estamos a fazer o mais correto? Valerá a pena fazê-la passar por tanta angústia?
Porque é que os meus filhos não são como aqueles meninos que vão para a escola todos felizes e excitados? Já com o André foi o mesmo “filme de terror” durante meses a fio.

Mães e pais desse lado que me estão a ler: eu sei que muitos de vocês também passaram pelas mesmas aflições ou até bem piores. Esta que vos escreve precisava de desabafar estas palavras. De repente dei por mim sentada num café (depois de ter deixado a miúda na escola) a precisar deitar tudo isto cá para fora e percebi que não tinha ninguém que me pudesse “aturar”.
Obrigada por me “ouvirem”! Bom resto de semana para todos.

Prometo manter-vos a par da situação!