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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Em abril...

Em abril…águas mil…pois sim mas só por terras lusas pois por aqui a Primavera vive-se com tempo seco e uns bonitos 26 graus.

Precisamente um mês depois do último texto, estou de volta com o relato de mais umas quantas aventuras. Sinto, no entanto, que vos devo uma desculpa. Este blogue começou por receber vários textos por mês e por agora só está a receber um. A ideia não é torná-lo mensal mas as circunstâncias do dia-a-dia não têm permitido que seja de outra forma.

Um típico dia de uma dona de casa não passa por ver todas as telenovelas brasileiras ou ir tomar café com as amigas igualmente “desocupadas”. Os meus dias passam por uma série de tarefas que também cansam, que também moem: preparar refeições, ser motorista, fazer compras, arrumar a casa, passar a ferro, brincar com os filhos, ajudar a fazer os tpc, etc, etc, etc… na verdade eu fazia tudo isto quando era professora em Portugal…só que aí não “perdia” tanto tempo no trânsito, preparava menos refeições (não cozinhava ao almoço), tinha os avós por perto para dar uma ajudinha com as crianças e também cheguei a ter empregada. Bom, as desculpas valem o que valem e vocês podem dizer que fazem isso e muito mais e que não entendem o meu “cansaço”. Na verdade não me estou a queixar. Estou apenas a explicar por que razão não tenho dedicado mais tempo ao blogue, assim como não tenho dedicado mais tempo à leitura ou ao Facebook ou a passear…são escolhas que se fazem e prioridades que se definem.

Voltando às minhas aventuras…a maior neste mês que se passou foi o meu aniversário, claro está. Um belo dia de primavera, a família, alguns amigos e um excelente almoço bastaram para que fosse um dia (quase) perfeito. Fomos almoçar ao Din Tai Fung – uma marca com origem em Taiwan e que hoje em dia tem restaurantes espalhados pelo mundo. Foi o segundo restaurante da marca que visitei e mais uma vez não fiquei arrependida. Que delícia de “xiaolongbao” (soup dumplings), “jiaozi” (dumplings) e “baozi” (steamed buns). Bem à medida da ocasião! Só não foi 100% perfeito porque não tinha comigo os meus pais, também eles de parabéns. Contudo, recebi um belo (e por sinal caríssimo) ramo de flores do maridão e dos filhos, uma planta e um bolo de aniversário muito gostoso da prima e mais uns presentes de alguns amigos. Acima de tudo, senti-me feliz e preenchida apesar da distância dos meus pais e dos meus velhos amigos. Recebi também muitas mensagens e algumas tocaram bem fundo no meu coração, de amigos a quem quero o melhor do mundo e que nem sabem o bem que me fazem só por estarem lá, do outro lado, quando me apetece dizer um simples “olá”. Depois há os outros, aqueles com quem não falo há tanto tempo, com quem não tomo café há eternidades mas que me fazem uma falta imensa. Todos vocês têm a vida preenchida e ocupada, assim como eu tenho a minha, mas é tão bom ter notícias vossas, nem que seja pelo Facebook. Fico grata pelo vosso carinho. Oxalá haja possibilidade de me encontrar com alguns no meu regresso a Portugal este verão. 

O André continua na sua luta diária para aprender Inglês e posso garantir-vos que estamos muito orgulhosos do seu percurso. O feedback dos professores tem sido muito positivo e os progressos na língua de sua majestade Isabel II (que amanhã completa 90 anos!) são bem visíveis. A Catarina também está muito bem adaptada: fala em chinês, canta em inglês e faz birras em português. Uma verdadeira poliglota.

Páscoa 2016
A 27 de março celebrou-se a Páscoa. Confesso que a data me teria passado completamente despercebida não fosse o almoço que o CPP (Clube Português de Pequim) organizou no bairro de Gulou (outra zona emblemática e central da cidade). O assado de Páscoa, o pão-de-ló e as amêndoas foram trocados por bombons, ovinhos de Páscoa para decorar e um buffet eclético e divertido. Não foi melhor nem pior do que em Portugal, foi diferente. Foi sobretudo mais um pretexto para juntar falantes da nossa língua e conviver com os amigos.

No início deste mês celebrou-se o Qingming Festival, também conhecido como Tomb Sweeping Day. Há quem o compare ao “nosso” 1 de novembro por se tratar de um dia de feriado nacional dedicado aos familiares falecidos. Neste dia é comum visitar-se os cemitérios, limpar os túmulos dos entes falecidos, rezar e prestar-lhes homenagem através da oferta de flores, comida, chá, vinho e incenso. Nesse dia feriado (uma segunda feira) aproveitamos o bom tempo e fomos visitar os “hutongs”, bem no coração de Pequim. Os “hutongs” são visita obrigatória para quem vem à China, especialmente se o destino for Pequim ou uma qualquer cidade do norte onde os “hutongs” são mais comuns. Trata-se de um conjunto de ruas estreitas e becos que se cruzam formando pequenos aglomerados ou bairros com arquitetura tradicional chinesa. Em Pequim existiram muitos ao longo dos séculos mas a certa altura o desenvolvimento económico e o crescimento demográfico ditou a demolição de muitos para no seu lugar serem erguidos edifícios gigantes e modernos. Hoje em dia os chineses têm uma visão diferente e é tempo de preservar estes lugares centenares que ainda sobrevivem. Muitos deles estão transformados em zonas comerciais e habitacionais onde o chinês e o turista coabitam com naturalidade. A Primavera é uma altura muito agradável para se visitar um “hutong” pois aproveita-se, em simultâneo, o bom tempo, as comidas de rua, a boa disposição das pessoas (libertas que estão das amarras do inverno rigoroso), os terraços e esplanadas (sem correr o risco de derreter ao sol) e as imensas árvores floridas que convidam a muitas selfies. Passámos um dia muito agradável no “hutong” junto ao lago Shichahai, comemos “jiaozi” no Mr. Shi’s – um “tasco” com uns dumplings maravilhosos - deixámos a nossa bandeira na parede do restaurante e cheguei a casa com uma valente dor nos pés. A reter para uma próxima aventura nos “hutongs”: experimentar mais comidas de rua, tirar mais selfies e calçar sapatilhas.

Uns dias mais tarde, aproveitando mais um excelente dia de primavera e baixos níveis de poluição, fomos dar uma espreitadela (de quase 4 horas) ao mercado de Panjiuyuan. Diz-se por aí que é o maior mercado de antiguidades de toda a Ásia e eu sou menina para acreditar. Com mais de 3000 bancas e dos mais variados artigos à venda (antiguidades e não só), vale bem a pena a visita…mesmo que apenas se tenha comprado incenso.
Pormenor de uma esquina 

E os planos para novas aventuras não param. Já na próxima sexta-feira teremos uma “Multicultural Food Fair” na escola do André. Vamos ter a oportunidade de dar a provar à restante comunidade escolar alguns dos nossos tesouros gastronómicos. Logo vos conto como correu. Temos umas quantas surpresas na manga.
@Mr. Shi's restaurant


Por aqui ou na página do Facebook, não deixem de seguir as nossas aventuras e vão deixando os vossos comentários, questões ou sugestões. Continuação de boa semana para todos.  

No lago de Shichahai

domingo, 20 de março de 2016

Bem-vinda Primavera!

Dá para acreditar que já estou aqui há 8 meses? Impressionante como o tempo voa! Não há um dia que passe e eu não me sinta arrebatada pela imponência e singularidade deste país. Ainda hoje, enquanto aguardava impacientemente na fila pela mudança do semáforo, me pus a observar o movimento à minha volta. Nem a avenida mais movimentada de Lisboa e do Porto, juntas, em hora de ponta, conseguem ultrapassar o frenes de uma qualquer avenida de Pequim às 11h da manhã. Experienciar isto e, semana após semana, levantar as camadas desta cultura, é uma verdadeira aventura e sinto-me uma felizarda por poder estar a fazê-lo.
Claro está que nem tudo são rosas pois também estas têm os seus aguçados espinhos. A poluição, os cortes constantes no acesso à Internet e o custo de vida, a par das saudades da família e amigos, são o lado negativo de toda esta experiência.
E por falar em custo de vida… hoje de manhã fui às compras. Duas horas e meia a saltar de loja em loja à procura de promoções. Sei que já vos falei disto noutras alturas mas nunca é demais referir os preços exorbitantes que aqui se praticam e eu preciso de “falar” disto pois cada vez que vou às compras é como se estivesse a lutar contra um monstro de muitas garras. Um iogurte grego de 100gr a 4€? Um quilo de carne de vaca a 9€? Um pacote de leite meio gordo a 2,5€? Um quilo de farinha a 6€? Um cappuccino a 4€?????????? Que país é este de desigualdades tão profundas onde os ricos acham isto tudo super barato e os pobres nem se atrevem a entrar nos mercados? Dá que pensar!
Algo que ainda se consegue por aqui a preços razoáveis é uma empregada (ayi). Por 3,5€ à hora já se consegue arranjar alguém que nos venha limpar a casa e passar a roupa a ferro. Mas é preciso ter sorte com quem se arranja…Eu não diria que a nossa “ayi” foi uma má experiência. Eu gosto de pensar que foi uma experiência de aprendizagem. Alguém (que não eu) deveria dedicar o seu tempo livre à elaboração de um manual: “Como encontrar, negociar, contratar, lidar, explicar, aturar e despedir uma ayi”. Aposto que ia ser um verdadeiro sucesso entre a comunidade expat de Pequim. Encontrar foi, de facto, a parte mais simples de todo o processo. O problema foi ela aprender a fazer as camas e limpar as casas de banho decentemente. Além de que um pouco de humildade, genica e respeito não lhe tinham ficado mal. Sem entrar em pormenores, resta-me dizer-vos que foi uma experiência a não repetir e que ao fim de uma semana e meia já a tínhamos mandado embora.
Não me querendo alongar em assuntos delicados, e porque viver na China também significa ficar-se de vez em quando sem acesso à Internet, ter cuidado com o que se diz, escreve e lê, posso no entanto dizer-vos que muito se passou desde que contribui para este blog em meados de fevereiro. Para começar, já lá vão três semanas de curso básico de mandarim: seis aulas, dezoito horas, muita diversão, uma lǎoshī (professora) simpática, duas “colegas de carteira” bem dispostas (uma alemã e uma francesa)… e um valente nó a formar-se na minha cabeça com a mais recente introdução da aprendizagem dos caracteres chineses. Entenda-se: eu disse curso básico, não disse curso fácil. Pelo menos já consigo entrar no café e pedir o que quero sem fazer figura de ursa!
Continuando o tema Educação, o André tem progredido bastante na escola. Já fala com todos em inglês, mesmo com os seus colegas italianos, brasileiros e espanhóis. Ultimamente teve uma série de participações muito positivas em competições de natação, conseguindo segundos e terceiros lugares e melhorando os seus tempos pessoais. Go BobcatFish! Acima de tudo, ficámos muito felizes por querer participar nestes eventos, fazer mais amigos e manter-se saudável. Esta semana vai ser bastante preenchida lá na escola com várias atividades interessantes e ele anda em pulgas: hoje é o pink shirt day - dia da t-shirt rosa - assinalando o International Day for the Elimination of Discrimination and Racism, amanhã é dia de representar o seu país, quarta é o dia do pijama, etc…
Quanto à Catarina, não imaginava que em tão pouco tempo se ia adaptar tão bem à pré. Está a desenvolver-se a olhos vistos, com brincadeiras diferentes, adora contar histórias aos seus bonecos e põe os avós a fazer as maiores palhaçadas via Skype. Está também uma tagarela em português e em “mandarim catarinês”. Já entende e fala mais mandarim do que qualquer um de nós cá em casa!

E… terminou o Inverno. Ó sim…adeus neve, adeus vento cortante e gelado, adeus temperaturas negativas dias e dias a fio, adeus luvas, gorros, cachecóis, térmicas, botas de neve e casacos de esquimó!! Sejas bem-vinda Primavera - minha estação do ano preferida! Bora lá sair da toca e descobrir a cidade e os tons primaveris.

Pink Shirt Day

Com uma das professoras do 4º ano

Parte do grupo BobCatFish

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Ressaca pós-férias?

18 de fevereiro de 2016…e que mês tão diferente que foi este! 7 meses de vida em Pequim com balanço muito positivo, muitas peripécias vividas em família e muitas férias à mistura.

Vocês que me conhecem bem sabem o quanto adoro planear viagens, escrevinhar roteiros, reservar hotéis, fazer malas…e, mesmo com algum medo à mistura, andar de avião continua a ser um desafio agradável, ainda que por vezes tenhamos alguns contratempos. 
Conhecer o Hawaii estava na minha “bucket list” ainda antes do próprio termo existir. Para aqueles que não estão familiarizados com a expressão, “bucket list” é uma lista que cada um pode criar com as coisas que deseja fazer antes de morrer. Muito embora nunca me tenha dado para a registar por escrito, sei muito bem quais as coisas que quero fazer e, incrivelmente, essa lista aumenta todos os anos por muito que eu já tenha feito ou visto. A isso chama-se fazer planos, sonhar, ter objetivos, lutar, viver... A minha lista está repleta de destinos, anseia por carimbos no passaporte porque dos maiores prazeres que tenho na vida é viajar. Há quem goste de ler, comer, estudar, ir ao cinema, namorar… sei lá…um sem fim de prazeres que cada um sente e que nos traz felicidade. Eu sou menina para gostar disso tudo e muito mais!! É o melhor que levamos desta vida: poder sonhar e poder realizar os nossos sonhos e ter sempre capacidade para continuar a sonhar.

9 dias no calendário que na prática só foram 7 por causa das diferenças horárias. 9 horas de voo para lá e 12 horas para cá ainda que tenhamos feito exatamente o mesmo trajeto. À partida problemas no aeroporto de Pequim com o visto de entrada nos EUA. Afinal fomos erradamente informados e tínhamos de ter pedido um visto. Estamos no balcão do check in quando nos avisam. 2 horas de corrida contra o tempo, contra uma rede informática lenta e um formulário interminável para podermos embarcar. No regresso problemas no aeroporto de Honolulu. O voo está “overbooked” e apesar de termos pago as viagens em setembro, dizem-nos que não temos lugar no voo. Há pessoas a mais e cadeiras a menos, dizem. Como?!?!?! E não vêm isso na altura de reservar os voos? E permitem? Sim, pelos vistos há companhias aéreas que permitem tudo e mais alguma coisa. Alternativas? Deixar de fazer um voo direto (Honolulu-Pequim) e fazer um voo com uma escala interminável em Los Angeles. Não, obrigada. Passar mais um dia em Honolulu e seguir no voo seguinte. Não, obrigada. Num hotel longe de tudo, sem piscina, emprego do marido à espera, etc… não, obrigada. Sejam profissionais e honestos e muitas chatices se evitam.
Pelo meio 7 dias de relaxamento, praia, diversão, passeios, descoberta, família. A ilha de O’ahu é absolutamente linda. Verde, azul, divertida, simpática, acolhedora. Espero bem que os seus habitantes tenham noção da sorte que têm em viver num local assim. Saí de lá encantada e com pena por não viver num local saudável e relaxado como aquele. Ter montanhas, mar, ar puro e gente simpática como vizinhos é um luxo hoje em dia. Fez-me recordar os tempos em que vivi no enclave do Oecusse em Timor Leste.
Bem sei que é um destino caro, bem sei que são muitas horas de voos e escalas, bem sei que é “do outro lado do mundo”, bem sei que os hotéis e a restauração cobram preços exorbitantes aos turistas, mas mesmo assim vale a pena. Quem sabe um de vocês segue os meus conselhos. Não se vão arrepender, garanto-vos.
De regresso a Pequim, caí na realidade das montanhas de roupa para lavar e secar, a azáfama com a escola dos filhos, a rotina do dia-a-dia. Mas nem por isso fiquei triste ou deprimida. Aqui é a minha casa agora. Daqui a uns dias começo as minhas aulas de mandarim, regressei para os novos amigos que aqui fiz, tenho os meus filhos comigo e o meu marido também e uma “penetra” que desde há uns dias partilha a casa connosco pois veio para cá trabalhar. É bom para o André ter cá a madrinha consigo. Ela ficou feliz, ele ficou feliz e nós também. E apesar da Catarina ainda lhe trocar o nome, é bom ver que também a gosta de ter por cá. A família cresceu e agora a casa grande está um bocadinho mais preenchida. Já somos 6 tugas (contando com a gata Micas!) na torre 1 da GuangCai Mansion.

E os planos para novas aventuras já estão a fervilhar. As próximas viagens começam a ser planeadas já amanhã!!!


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

快乐中国新年 Feliz Ano Novo Chinês

Agora que as baixas temperaturas já não estão tão insuportáveis e o meu cérebro parece começar a descongelar, vamos lá pôr os assuntos em dia.

Como devem saber, uma vaga de frio invulgar, até mesmo para os padrões de Pequim, tem atingido a capital e, no geral, todo o território chinês. Nem mesmo as províncias mais a sul conseguiram escapar com as temperaturas a atingir valores negativos em Hong Kong e a vizinha Macau. Difícil de acreditar que daqui a meio ano vamos ter temperaturas de 40° à sombra. Assustador!

Por estes dias tivemos nova onda de idas ao hospital para visitar a doutora francesa. Primeiro foi o papá Souto com uma amigdalite e, logo a seguir, o filho Souto resolveu imitá-lo. Resumindo: 3 dias de enfermagem para mim e falhas ao trabalho e à escola. Esperemos que este “bichinho” tenha ido parar a outras bandas e deixe o resto da família em paz.

Sei que alguns de vós viram uma publicação no Facebook de uma aula de mandarim. Aquela não foi “a sério”. Uma espécie de aula-teste ou, como lhe chamam em inglês, uma “trial lesson”. Serve para ficarmos a conhecer a professora, contactarmos com a língua, conhecermos a metodologia e, no meu caso, serviu sobretudo para me assustar com o grau de dificuldade da língua. 5 tons, minha gente! CINCO!! Esta gente usa cinco tons diferentes para uma mesma sílaba e a diferença no tom equivale à diferença no significado. Isto em termos generalistas, claro! Depois daquela primeira aula ganhei juízo e desisti logo ali…só que não! Eu sou mesmo de desafios e dia 23 do próximo mês, após as férias, tenho encontro marcado com o mandarim! MEDO!

Por falar em aulas, algumas (boas) novidades em relação à Catarina e a sua experiência na creche. Depois de umas semanas de algum stress, parece que a miúda está finalmente a integrar-se. O caminho ainda é longo e tortuoso mas já não chora todo o caminho, já come e até já diz que gosta da “mãe da escola” e da escola em si. É bom senti-la mais confiante e participativa.

Entretanto, dentro e fora de portas, as árvores de Natal dão lugar aos enfeites do Ano Novo Chinês. Diz-se adeus ao ano da cabra e as boas-vindas ao ano do macaco. Esta é, muito provavelmente, a maior festividade deste país e faz com que os chineses se desloquem em massa para visitar os seus familiares. O Festival da Primavera, como também é conhecido, começa com a Lua Nova no primeiro dia do novo ano e acaba na Lua Cheia, que ocorre 15 dias depois. Uma vez que o calendário chinês se baseia numa combinação de movimentos solares e lunares, o Ano Novo Chinês calha em datas diferentes todos os anos.

As celebrações do Ano Novo implicam decorar as casas e as ruas, visitar os familiares, fazer oferendas aos membros mais novos da família e aos deuses e fogo-de-artifício…muito fogo-de-artifício. Por estas razões muitos dos estrangeiros que aqui vivem e trabalham há vários anos são da opinião que esta é uma excelente época para sair do país e procurar paragens mais tranquilas. Aproveitando o facto de as escolas pararem as atividades letivas durante duas semanas, vamos seguir o conselho de muitos e vamos passear. Só não revelamos ainda para onde! Seus curiosos...

A verdade é que vem aí uma ótima notícia a caminho e que nada tem a ver com o nosso destino de férias. A novidade está a ser cozinhada há umas semanas mas ainda não estou em condições de a revelar. Lamento ter aguçado novamente a vossa curiosidade mas vão ter que esperar mais uns dias.

Beijos e até ao próximo texto e não se esqueçam de ir acompanhando este blog no Facebook. 




















sábado, 16 de janeiro de 2016

Seis meses!



6 meses de China… 181 dias de “Nǐ hǎo” e “Xièxiè”… um semestre de odores, sabores, cores e experiências diversas e tão enriquecedoras.

Nem acredito que já se passou meio ano e eu quase não conheço a cidade onde moro. Eu sei que já vos disse que a cidade é grande, enorme, gigantesca mas, acreditem, nunca é demais reforçar essa ideia. Pequim é grande em tudo. Edifícios enormes, uma rede de metro de centenas de quilómetros, avenidas com 4 e 5 faixas de rodagem para cada lado, milhões de carros, milhões de pessoas, milhares de pontes…nada do que eu vos diga vos pode preparar para o impacto que é aterrar nesta cidade. 6 meses depois eu não conheço o meu “bairro”, quanto mais a cidade. Pelo meio revisitei alguns locais e descobri outros mas não tantos quanto desejaria.

Pelo meio também fui a Portugal passar o Natal, Ano Novo e Dia de Reis. Visitei amigos, comi, bebi, resolvi alguns assuntos pendentes, comi, bebi, fiz compras, comi, bebi, visitei familiares, comi, bebi… foram 3 semanas bem passadas, bem comidas, bem bebidas e também bem molhadas! São Pedro adora o Porto e eu até já me tinha esquecido que chove tanto na minha cidade do coração. Por cá quase nunca chove e essa característica de Pequim, desculpem lá que vos diga, bate o Porto aos pontos. Foi muito bom rever os meus pais, matar saudades dos seus miminhos e da comidinha caseira, abraçar velhas e boas amizades mas o regresso e as despedidas doem muito e deixam um amargor no coração. Desfazer o nó na garganta levou o seu tempo e nada melhor do que voltar à rotina com toda a força, atirar-me de cabeça às minhas tarefas e pôr em prática alguns projetos idealizados e algumas “resoluções de ano novo”.

Hoje foi dia de enganar o frio e aquecer o corpo e a alma com um tradicional Hot Pot. Este prato típico chinês é uma espécie de sopa, com ou sem picante, cujos ingredientes são escolhidos por nós e podem ser tão variados como: tofu, carne, peixe, legumes, massa, cogumelos, lótus, etc. Nas mesas estão incorporados os “fogões”, depois colocam-se os ingredientes crus que previamente escolhemos e somos nós que os cozinhamos. De vez em quando vem um empregado “ensinar” como se faz. Tudo num ambiente muito animado e em boa companhia. Foi muito agradável e são momentos que vão ficar gravados para sempre na gaveta das memórias da China. Para os mais céticos, venham até cá e provem. Verão que não se arrependem!

Hoje comecei um novo projeto que já há algum tempo vinha sendo “cozinhado” na minha cabeça. Sei que muitos de vós leem os meus textos e até fazem comentários elogiosos e simpáticos mas às vezes sinto que vos falho por demorar tanto a escrever. As responsabilidades do dia-a-dia nem sempre me permitem ser tão assídua quanto gostaria. Decidi portanto criar uma página no Facebook com o mesmo título deste blog. Espero assim poder dar-vos notícias com mais frequência e chegar a um público cada vez mais alargado.

E para terminar por hoje, uma palavra de agradecimento a todos quantos estiveram comigo pessoalmente ou por mensagem durante as férias de Natal. Foram todos eles momentos muito gratificantes e felizes. E, já agora, um pedido de desculpas àqueles com quem não me consegui encontrar. Foram três semanas mas, acreditem, não cheguei para as encomendas! Fica para uma próxima oportunidade, está prometido! ;)


Hot Pot

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz 2016! Happy 2016!

Chegado o momento de fazer o balanço do ano que agora termina, apenas uma palavra me vem à ideia: gratidão. Entre algumas desilusões, sustos, lágrimas e dificuldades, 2015 foi um ano de muitas conquistas, sorrisos, novas amizades e projetos. 

Mudar de vida não foi uma decisão tomada com leveza ou leviandade mas foi a decisão acertada e da qual não me arrependo. Custa-me muito a separação física dos meus pais, pilares da minha vida e meu grande apoio, custa-me que não acompanhem mais de perto o crescimento dos netinhos que tanto adoram...custa-me que os meus filhos não gozem a presença dos avós que tanto amam...mas a vida é feita de encontros e desencontros, chegadas e partidas, boas vindas e despedidas. 

Deixei o trabalho que tanto gostava de fazer. Sempre fui feliz a dar aulas, mas trabalhar com crianças especiais encheu-me o coração de alegria e proporcionou-me a realização profissional que me faltava. Sei que fui talhada para o fazer e cá dentro fica o vazio (ainda não preenchido) de um emprego que me dê luta. 

Comecei uma vida nova numa cidade tão diferente e distante do meu amado Porto e os desafios diários desta aventura ocupam-me a mente e o tempo. À custa disto acabei por criar um blogue, uma espécie de "semanário" escrito ao sabor da experiência e da disponibilidade. Inicialmente pensado para os meus pais e família mais próxima, acabou por se tornar mais lato e chegar a todos aqueles que sentem um pouco de curiosidade por esta nova aventura da família Souto. A verdade é que escrever estes textos obriga-me a refletir sobre diferentes assuntos, a pôr as coisas em perspetiva e trouxe-me de volta o prazer de escrever que andava há algum tempo "adormecido". 

Conheci pessoas novas, fiz novas amizades, desiludi-me com alguns, surpreendi-me com outros...mas todos trouxeram riqueza ao meu mundo. 

Viajei...muito! E como eu adoro viajar! Istambul, Capadócia, Pequim, Xi'an, Xangai, Hong Kong, Macau... não me posso queixar. A azáfama dos preparativos, os hotéis, as comidas, o contacto com diferentes culturas, a alegria dos nossos...tudo me fascina. Aprendi isso com 15 anos e de lá para cá nunca mais parei de viajar. 

2015 foi, assim, um misto de emoções, um ano de aprendizagem e crescimento. E agora que 2016 se aproxima só posso pedir que venha recheado de novas aventuras, muitas viagens, muitos sorrisos, muita saúde, muita paz...PARA TODOS!!!!!!!!!! Que sejamos todos muito felizes!!!!!!!



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Há 5 dias em Portugal e pouco ou nada fiz além de visitar supermercados, consultórios médicos e lojas. Aos olhos dos "estrangeiros" a crise em Portugal parece ter desaparecido por obra e graça dos santinhos a avaliar pela quantidade de pessoas que se vêm às compras. Espero que sim, mas algo me diz que não. 
Ironias à parte, está a ser muito saboroso este regresso, apesar de alguns contratempos. Logo à chegada ficámos sem luz em casa. Que bela receção dos meus pais, digam lá. 
Já visitámos alguns familiares e amigos mas até dia 9 espero ainda dar muitos abraços e beijinhos, tomar muitos cafés e empanturrar-me de muita comidinha portuguesa da boa. A minha balança vai-se assustar tanto quando regressar a Pequim! Ohhhh God!!!! 
E por falar em Pequim, de boa nos safámos nos últimos dias. Primeiro foram 4 dias de alerta vermelho consecutivo por causa da poluição e agora é o alerta da Embaixada dos EUA que colocou a zona de Sanlitun (onde moramos e onde se encontram quase todas as embaixadas) sob vigilância apertada por suspeitas de ameças contra estrangeiros. Verdade ou não, o que é certo é que os chineses levaram a coisa a sério. A ver vamos se tudo se acalma até ao nosso regresso.
E entretanto o André ficou doente e a Catarina está a ficar também. As crianças têm um sentido de oportunidade fabuloso!! De repente isto fez-me sentir ainda mais que o que realmente importa é estarmos bem de saúde e na companhia daqueles que  se preocupam connosco, que nos amam e nos são mais queridos. Os dias 24 e 25 são só mais dois dias no ano em que devemos fazer os nossos felizes, mostrar-lhes o nosso carinho e amor, estar lá para eles. A esses, à verdadeira família e aos verdadeiros amigos, longe e perto, desejo o melhor do mundo. E aos outros, aqueles que não nos ligam o ano inteiro, que não se preocupam, que nos ignoram, não desejo mal nenhum. Que sejam muito felizes e tenham muita saúde. Isso é o mais importante. 
Com missa ou com desenhos animados, com perú ou bacalhau, com rabanadas ou sonhos, com prendas ou sem elas, sejam TODOS muito felizes, cada um à sua maneira...hoje, amanhã e sempre. 
Um beijinho caloroso e cuidado com a engorda!