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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Chinesices - parte 1

Quase quinze meses depois de ter aterrado no PEK (Aeroporto Internacional de Pequim), acredito que neste momento os meus dias estão no chamado “ponto de rebuçado”, felizmente sem a carga calórica adicional. Algumas das metas que me propus alcançar estão bem encaminhadas e isso faz-me sentir bastante bem. Acima de tudo, sinto que consegui estabelecer um equilíbrio, um ritmo e uma rotina saudáveis que me permitem sentir útil, ocupada e, sobretudo, com pouco tempo livre. Aliás, tão pouco tempo livre que ainda não tinha arranjado umas horinhas para me dedicar a este blogue. J (So sorry about that!)
Com grande pena minha também não tenho tido disponibilidade para ler. A pilha de livros continua no escritório à minha espera e a “wishlist” tem aumentado. Apetece-me muito passar umas horas no meu novo e confortável sofá com a minha Micas e um bom livro mas a prioridade tem sido o ginásio e as aulas de Mandarim que começaram semana passada. Voltar a Portugal de férias passou a ser sinónimo de engorda e estava na hora de voltar à forma que me propus alcançar há dois anos. Entre caminhadas, alguma corrida, boas escolhas nutricionais e muita força de vontade estamos todos (quase todos porque a pequena não precisa!) no bom caminho da boa forma física. E desenganem-se os que pensam que não preciso. Então não sabem que daqui a três meses estou novamente em Portugal para a engorda natalícia?! Preciso de lá chegar com margem de manobra para o pecado da gula. J
Voltar a Portugal, ou simplesmente estar de férias fora da China, acarreta um outro problema muito grave (para além do facto óbvio de que se gasta muito dinheiro!) que é não se praticar Hànyǔ (a língua chinesa). Com quem poderia eu praticar o meu extremamente básico Mandarim em Portugal? Indo fazer compras às “lojas dos chineses” ou comendo “arroz chau chau” todos os dias, dizem vocês. Pois bem, não fiz uma nem outra e quando cá cheguei o meu Mandarim “extremamente básico” estava no nível “praticamente indecifrável”. Integrar uma turma de nível 2 só serviu para confirmar o que eu já temia: esta língua é muito (mesmo muito) difícil e só se consegue aprender se se praticar todos os dias. Felizmente este novo grupo é ainda mais engraçado e heterogéneo do que o anterior: eu, uma dinamarquesa, uma lituana, uma brasileira e uma inglesa guiadas por uma lǎoshī (professora) de vinte e oito anos, também ela muito bem-disposta. Não há maneira de estas aulas serem aborrecidas e temos todas muita paciência para ouvir os disparates que nos saem pela boca fora.
E por falar em disparates, há duas ou três situações que eu preciso de partilhar convosco e que, direta ou indiretamente, têm a ver comigo e com a cultura e a tradição chinesas. A primeira delas tem a ver com as minhas idas ao ginásio. O espaço que frequento fica no condomínio onde moro, o que torna as idas mais confortáveis porque nem sequer tenho que sair à rua e em três minutos estou lá. O espaço é agradável, tem boas instalações e funcionários simpáticos…um pouco intrometidos, mas simpáticos. Para além do ginásio propriamente dito podemos praticar yoga, zumba, pilates, natação, ténis de mesa, xadrez, bilhar, squash, entre outros. Em Portugal nunca fui grande adepta de ginásios e, nos meses que frequentei, não me lembro de nenhuma situação constrangedora. Ajudem-me aqui meninas. Uma pessoa chega, troca-se, vai queimar umas calorias, faz uns alongamentos, regressa ao balneário, toma o seu duche, veste-se e sai. Esta parece-me a ordem natural das coisas. Pois por aqui, para além destes passos mais óbvios, há também o chamado “observar”. Este desporto parece-me bastante popular por estas bandas e as funcionárias do balneário feminino são as verdadeiras Usain Bolt do “observar”. É vê-las inspecionar a tua técnica de lavar as mãos, de apanhar o cabelo, de tomar duche ou simplesmente de apertar o soutien…acessório desconhecido de muitas chinesas. Uma pessoa sente-se nua…quer dizer, duplamente nua, desprotegida, invadida…mas depois apercebes-te que não é só contigo que fazem isto. É com todas as utentes, estrangeiras e chinesas. Hum…muito estranho!
Mais estranho ainda é ser-se mulher chinesa e grávida neste país. É todo um mundo novo de esquisitices que se abre à tua frente e nem sabes muito bem como reagir ou pensar. Após décadas de restrições quanto ao número de filhos permitido por casal, políticas mais ou menos contestadas e mais ou menos contornadas consoante os zeros à direita na conta bancária, hoje em dia é muito comum encontrar-se uma chinesa grávida. Elas andam ainda e são verdadeiras portadoras do futuro desta nação. Carregam um filho no ventre e séculos de cultura e tradição às costas.
Vocês sabiam que durante a gravidez a mulher não pode beber nem comer nada que seja frio? Água? Só quente! Chá? Nem pensar. Os chineses acreditam que tem propriedades negativas para o feto. Outros alimentos frios e até crus? Esqueçam! Convenhamos que à falta que a Asae faz por estes lados, algumas destas restrições deviam ser sempre seguidas à risca. Gelados? Também não! OMD! Que frustração!
Vocês sabiam que depois de dar à luz uma mulher não pode tomar banho durante um mês? Não pode sair de casa, tem que manter portas e janelas fechadas e não pode sequer ligar o ar condicionado mesmo que seja verão e estejam 40° à sombra?
Basicamente as parturientes chinesas devem permanecer em descanso total durante um mês sem poder abusar na leitura e na televisão (será que o mesmo princípio se aplica aos telemóveis?), não devem chorar (porque pode perturbar o bebé e faz mal à visão da mãe) nem devem receber visitas durante esse mês com exceção das avós do bebé. As regras do “zuò yuè zi” (o chamado “mês sentado”) variam de região para região e de família para família. Existem as mais tradicionalistas e outras que nem por isso mas mesmo as jovens mães modernas, instruídas e viajadas se sentem muitas vezes impotentes perante a enormidade de regras impostas pela própria família durante este período tão especial.

Depois de saberem disto não se sentem felizardos por terem nascido em Portugal?
Primeiro texto do nível 2 de Mandarim

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Esta Tuga regressou a Pequim

Final do mês de agosto. Mês de férias por excelência, de regresso ao país natal para muitos emigrantes, de sol, praia, calor, dias longos e noites quentes. Há muito que o mês de agosto não tinha um significado tão especial para mim, tão Tuga e tão saudoso como este. Habituada que estou a viver fora do país, este agosto teve um significado especial pelas boas e más recordações que dele guardarei para sempre. Regressar ao Porto soube-me muito bem. Revisitar lugares, reencontrar amigos, “tirar a barriga de misérias” e, sobretudo, o miminho dos pais e poder proporcionar-lhes o convívio com os netos queridos. Não é isso que todo o Tuga emigrante faz quando vai a Portugal de férias? A “obrigatória” ida a Fátima (embora não me considere católica praticante, é uma viagem que me agrada fazer e um local que gosto de visitar pelo menos uma vez por ano). Cada um tem as suas razões e eu cá tenho as minhas. 
Visitar o Porto. A “minha” cidade está linda! Viva, vibrante, colorida, multicultural, poliglota, multifacetada, de cabeça erguida e confiante no seu potencial. As gentes do Porto só podem ter razões para estarem felizes. Sinto-me orgulhosa da “minha” cidade que, apesar de não me ter visto nascer, por lá me vê desde que nasci. Adorei percorrer as suas ruas com olhos de turista curiosa e fascinada. Adorei revisitar lugares e tive pena de ter deixado outros para trás mas infelizmente o tempo não chegou para tudo. O tempo nunca chega para tudo mas não considero que o tenha desperdiçado enquanto aí estive. Foram dias preenchidos mas estive (quase sempre) onde realmente queria estar, com quem queria estar e a fazer o que queria fazer. Se não estive com algumas pessoas, que me perdoem, mas em dezembro podemos compensar essa falha. Pelo meio tive momentos menos bons, pesados, sofridos, de enorme ansiedade e angústia que só eu soube bem a sua dimensão. No final, a vida tomou o seu rumo natural…como sempre faz…e nós só temos que saber adaptar-nos às novas circunstâncias.

Regressar a Pequim continua a não ser fácil. Deixar (quase) tudo para trás não é tarefa simples, nunca é. Felizmente sou dotada de uma enorme capacidade de adaptação. Acho que esse é, verdadeiramente, o meu ponto forte. 
O regresso à escola do André está a ser um sucesso. Ano novo, turma nova (só tem dois colegas da turma anterior), professor novo (“adeus” ao canadiano Mr. Roberts e “olá” ao neo-zelandês Mr. Attwell) e muitos desafios pela frente. Para começar, fez os testes e entrou para a seleção sub11 de futebol da escola. Objetivos para este novo ano? Muitos! O André tem 5 quilos para perder, dar o seu melhor no futebol, lutar por um lugar na seleção de natação da escola, superar as suas dificuldades no Inglês, fazer novos amigos…e ler, ler muito! 

O regresso da Catarina à pré não foi tão pacífico. Apesar dos primeiros dois dias terem sido muito positivos, esta semana a minha menina acusou a ausência de dois meses e voltou a recusar o pequeno-almoço, voltou a sentir-se ansiosa e chorosa na hora de se despedir de mim. Estou confiante que em breve tudo regressará ao normal pois sei que gosta muito da escola.


Aos poucos também eu me estou a readaptar à vida nesta grande cidade. Ter os enteados de visita por estes dias tem servido para passear um pouco mais mas tem-me afastado de um dos meus objetivos para este ano: voltar ao exercício físico. Agora que ambos os filhotes vão estar na escola todos os dias, um dos meus objetivos é perder os quilinhos extra (culpa dos pequenos-almoços bufet, das francesinhas, dos doces portugueses, dos convívios, dos gelados e das deliciosas comidinhas da mãe!) e regressar ao ginásio. Retomar as aulas de mandarim é outro objetivo, sem dúvida. Sinto-me completamente “enferrujada” e confesso que estou ansiosa por voltar a estudar esta língua fascinante. Mais objetivos? Claro! Continuar as minhas leituras, cuidar dos meus, dedicar mais tempo a este blogue, aproveitar bem as últimas semanas de verão antes que o outono se instale e continuar a explorar Pequim. Há ainda tanto para descobrir!

A vós, leitores mais ou menos assíduos, resta-me desejar que continuem a "ler-me", que tenham paciência nas minhas ausências e que contribuam com as vossas dúvidas, sugestões e comentários. Aos que ainda estão a gozar férias, aproveitem-nas bem; aos que ainda as vão começar, não as desperdicem e recarreguem bem as baterias; aos que ficaram colocados, boa sorte na nova escola e abracem com garra os novos desafios; aos que ainda não têm trabalho, não percam o ânimo. Beijinhos saudosos.

domingo, 17 de julho de 2016

"Buy me the sky"

Tarde de domingo, tanto programa interessante para se fazer fora de portas desfrutando do sol e do calorzinho bom que se faz sentir…e eu aqui, na varanda de casa a fazer o que mais me apetece: ler e escrever. Uma chávena de café e o chilrear dos pássaros como companhia, aproveitando o sossego das crianças e a disponibilidade dos avós para os entreterem. O café é vietnamita (delicioso!), o livro é da escritora Xinran mas as ideias que fervilham e lutam por sair são bem minhas.
Xinran – jornalista, apresentadora de rádio e escritora – é, acima de tudo, mãe e mulher. Uma mulher chinesa, nascida em Pequim há quase 60 anos. A viver em Inglaterra desde 1997, divorciada de um chinês, casada com um inglês, as suas palavras no livro “Buy me the sky – The remarkable truth of China’s one-child generations” cativaram-me desde o primeiro parágrafo.
Confesso que a autora me tinha passado despercebida até ao ano passado, mas a mudança para a grande metrópole asiática fez naturalmente surgir em mim a vontade de explorar a cultura e a História chinesas.
Há uma série de questões que são colocadas logo no inίcio do livro e que me deixaram a pensar. Porque é que há uma diferença tão profunda entre as cidades e o campo? Como é que podem existir décadas de separação entre lugares dentro do mesmo paίs governado pelas mesmas leis? Quem é que representa o povo chinês hoje em dia? Os homens de negócios que saltam de aeroporto em aeroporto ou os pequenos agricultores sem qualquer instrução que percorrem a pé vilas e aldeias em busca de um meio de subsistência? Se a China é um paίs comunista, então por que motivo os pobres das zonas rurais não têm qualquer tipo de apoio do Estado? E se é um paίs capitalista, por que razão é que a economia é liderada por um partido único?
Estas e outras questões não são de fácil resposta e, muito honestamente, após a leitura do livro não fiquei muito mais esclarecida. As palavras de Xinran têm o dom de nos obrigar a pensar e estas levaram-me de volta às mulheres que todos os dias se cruzam comigo em Pequim. Será que estas avós, mães e filhas passam provações na grande cidade? Terão elas nascido na capital ou vieram “fugidas” da pobreza do campo? Será que, apesar da opulência exterior de algumas, por dentro estão ocas de sentimentos, imunes ao sofrimento dos outros? Terão elas irmãos ou irmãs com quem partilhar alegrias, tristezas, cumplicidades? Terão um, dois ou mais filhos?
A condição feminina na China não é o ponto fulcral deste livro mas é um tema que atravessa, inevitavelmente, todos os testemunhos que nele se podem ler. Mulheres forçadas a uma vida de sofrimento, sacrifίcios e decisões que nenhuma mãe deveria ter que tomar. Fachadas de riqueza e ostentação a caminhar lado a lado com lágrimas reprimidas e sonhos destruίdos. Filhos cuja condição de “únicos” lhes dá luz verde para a arrogância, o desprezo e a ingratidão. Que sociedade é esta que coabita comigo? Gerações de “filhos únicos” numa era de novas tecnologias onde os únicos objetivos são subir mais um degrau no status social, amealhar mais uns “yuans”, vestir as últimas tendências, comprar o último grito da Apple, comprar o carro mais vistoso e potente…e, ao mesmo tempo, ver um filho como um “acessório” necessário na ascensão social, um “estorvo” que se deve deixar ao cuidado de uma “ayi” (empregada doméstic
a)…
Não se compreende como é que a primeira geração de “filhos únicos” é tão diferente da segunda e esta tão diferente da terceira. Numa era de extensas transformações sociais, abertura ao exterior e crescimento económico, os filhos desta grande nação andam à deriva, perdidos entre os conceitos de “certo” e “errado”.
Após a leitura apaixonada deste livro, fica a grande dúvida: o que será da China, destes filhos e seus descendentes? Como será o futuro da China e que papel é que estes “jovens perdidos” terão a nίvel mundial?

Aconselho vivamente a leitura desta e de outras obras de Xinran. A minha próxima já está escolhida!







quinta-feira, 14 de julho de 2016

Um ano de Pequim

Porque viver uma aventura na China implica viajar muito, este texto vai causar algumas dores de cotovelo. Para os que conseguirem ultrapassar isso, leiam com carinho e faço votos que um dia possam vir a fazer o mesmo, se for essa a vossa vontade.

Pessoas que volta e meia andam por aí de férias, digam lá se tenho ou não razão. Passam-se anos a sonhar com o destino; passam-se meses a pesquisar (o que ver, o que visitar, o que comer, onde comer,  locais de interesse histórico, tesourinhos escondidos, etc); uma semana  antes prepara-se a partida, contam-se os dias, as horas e minutos…para finalmente se chegar ao destino e os dias passarem a voar!
Salvo raras exceções, sempre fiz viagens de uma semana mas se há coisa que esta vida de turista me tem ensinado é que uma semana fica sempre a saber a pouco. “A praia era linda, era menina para ficar lá esparramada mais uns dias”…”não cheguei a visitar aquele sítio, deveria ter ficado mais uns dias”…”o hotel tem uns pequenos almoços dignos de um rei, para a próxima marco mais tempo”… e lá marcámos! 20 dias! E ainda assim soube a pouco! Banguecoque merecia mais saídas noturnas mas com crianças pequenas torna-se uma aventura complicada. Phuket merecia mais horas de leitura, descanso e massagens. Ho Chi Minh merecia mais esplanadas, mais café e mais compras. Hanói merecia mais comida de rua e mais passeios de mota. 20 dias depois acabaram-se mais umas férias em família,  criámos mais umas quantas memórias bonitas, aprendemos um pouco mais, saímos mais pobres de carteira mas mais ricos como seres humanos.

20 dias depois estava mesmo a precisar de outros 20 dias de férias… para descansar das férias. Contudo, 4 dias depois já tinha novamente as malas aviadas para rumar ao Porto.

Regressar à nossa terra sabe sempre bem, ainda para mais no verão. Sabe bem rever familiares e amigos, conviver, degustar as nossas iguarias e respirar ar puro. Em Pequim está abafado, poluído e húmido. Um calor insuportável no verão a contrastar com as temperaturas negativas e a neve dos meses de inverno. Não há praias para entreter as crianças , as piscinas ao ar livre são caríssimas e à mercê dos agentes poluentes e o rio Liangma não está bom para ir a banhos. O que fazer com duas crianças durante 45 dias nestas condições? A pensar sobretudo no bem estar delas e dos avós babados, gastam-se mais uns euros mas volta-se a ter a família separada. O marido a trabalhar e a mulher e os filhos a gozar mais férias.

No meio disto tudo, alguns acontecimentos bem importantes. Para começar, o Campeonato da Europa de futebol. Confesso que não tinha grandes esperanças nem criei muitas expectativas. Às custas da diferença horária de sete horas não vi nenhum jogo da nossa seleção enquanto estive pela Ásia. Através das redes sociais li os mais diversos comentários, nem todos abonatórios, mas a verdade é que os nossos jogadores foram cumprindo a sua missão jogo a jogo, com maior ou menor sofrimento. Chegada a Portugal já não tinha a desculpa da diferença horária mas já estávamos nas meias e a supersticiosa em mim falou mais alto. Afinal de contas, se não vi os outros jogos e eles ganharam, então deveria manter o registo para que continuassem em maré de vitórias. Foi o que fiz e, olhem lá, resultou! Ainda bem que não vi os jogos! Está bom de ver que foi às minhas custas que ganhámos a taça!

Foi um mês carregadinho de emoções fortes e grandes resultados desportivos - uns mais divulgados e festejados do que outros – mas todos eles importantes para levar mais alto e mais longe o nome do nosso país. Somos o povo do “desenrascanço”, um povo de brandos costumes, de vincadas desigualdades sociais, um povo com uma imensa história de emigração, de saudade e sofrimento e muitas vezes vivemos a olhar para baixo, a tentar acompanhar a passada dos “grandes” em vez de erguermos o olhar e caminharmos, no mínimo, ao lado deles. Eles, esses outros países que se dizem e fazem grandes, não são melhores do que nós. Só quem vive e trabalha fora do país é que tem a verdadeira noção da nossa grandeza, apesar de todas as nossas fraquezas.

Facto ainda mais importante e marcante do que a conquista do Campeonato da Europa foi o primeiro aniversário da minha estadia em Pequim. Um ano de China comemorado bem longe do país que nos acolheu em 2015, longe do grande responsável por esta mudança. Convenhamos que foi um ano muito positivo: 21 voos, 10 cidades visitadas, conquistas escolares dos filhotes e profissionais do maridão, entrevistas para a rádio…


A nível pessoal foi um ano de superação de obstáculos. Voltei a escrever, adaptei-me a uma cultura diferente, regressei aos estudos e logo para aprender uma língua tão complexa, transformei uma casa num lar, li muito, fiz novas e boas amizades, reguei as velhinhas amizades para que possam continuar fortes e saudáveis...acho até que superei finalmente o meu medo de andar de avião. Com um ano assim, só posso estar grata por tanta coisa boa que aconteceu. E saúde, muita saúde…muito importante! Foram 366 dias em cheio! 

terça-feira, 24 de maio de 2016

Quarta-feira, vinte e cinco de maio de 2016. 10 meses e 12 dias de vida em Pequim.

Parece-me incontornável referir a entrevista que a querida Alice Vilaça me fez há alguns dias. Nunca tinha ouvido o seu programa em Portugal e fiquei muito agradada com o seu profissionalismo e a forma como me deixou à vontade para poder falar sobre as minhas experiências. O grande instigador foi o meu pai.  Ouvinte atento e assíduo, um dia resolveu elogiar o programa na página do Facebook e a Alice respondeu. Receber feedback da própria jornalista foi, só por si, lisonjeador, mas o meu pai foi mais longe e falou-lhe da filha e do facto de eu estar aqui em Pequim numa nova aventura. E, pronto, surge o convite para uma entrevista. O que se pode dizer perante isto? Aceita-se e depois roem-se as unhas, imagina-se toda uma conversa e vai-se ao baú sacudir o pó das memórias de Timor e da Serra Leoa. Para quem me conhece há muitos anos ou para quem teve tempo, curiosidade e vontade de ouvir os 30 e tal minutos de conversa que tivemos, sabe como foi o meu percurso até aqui. Neste momento quero agradecer a todos os que me felicitaram pela entrevista. Foi mais uma experiência. Bem ou mal, com mais ou menos nervosismo à mistura, sei que fui eu própria, com direito a sotaque e tudo! Goste-se ou não se goste, esta sou eu…e a que falou na rádio também sou eu. Sou quem sou e estou onde estou em parte graças às escolhas que fui fazendo ao longo dos anos. Sou quem sou e estou onde estou porque cresci a ouvir estórias da Marinha em África, porque sempre me ensinaram a lutar pelos meus objetivos, porque cresci a viajar…primeiro dentro do país e depois na Europa. Estou onde estou e sou quem sou porque um dia ganhei coragem e em 10 minutos tomei a decisão mais marcante da minha vida. E foi essa decisão que mudou para sempre o meu rumo. Talvez exista um destino marcado para cada um de nós, talvez, mas quem toma as decisões sou eu.

Dito isto, outra decisão que tomei foi aprender Mandarim. E que decisão esta! Tem sido bastante agradável este percurso e garanto-vos que é para continuar. O bichinho de estudar está cá. Eu sempre gostei de estudar. Sempre fui uma estudante aplicada…que o digam os que me conhecem desses tempos. E ainda agora a minha professora de Mandarim o diz. Também se estou a pagar uma verdadeira fortuna por estas aulas (600 euros só para o nível 1), tenho mais é que as aproveitar ao máximo. E valeu a pena. Ainda que só saiba desenrascar-me para ir fazer umas comprinhas ao mercado, fazer uns pedidos no restaurante ou falar com o taxista, a verdade é que paralelamente ao programa se aprende muito da cultura chinesa e isso não tem preço. Concorde-se ou não com a maneira de ser deste povo, com os seus costumes e métodos, a cultura chinesa é riquíssima e tão diferente da nossa que todos os dias se descobre algo de novo que nos deixa a pensar.
Semana passada, por exemplo, fiquei possuída de raiva. Já se sabe que por aqui o respeito pelas regras de trânsito é muito relativo. Testemunho isso todos os dias, várias vezes ao dia e, honestamente, já devia estar habituada mas há coisas que não consigo engolir. Estou quase a chegar à escola do André para o ir buscar e deparo-me com um grupo de cerca de 15 pessoas à espera para atravessar a passadeira. Resolvo fazer o mais normal e civilizado e abrando até parar para os deixar passar. Qual não é o meu espanto quando verifico que todos, sem exceção, permanecem parados e a olhar para mim como se fosse alguma ave rara que tivesse acabado de pousar ali. Gente, eu não sou nenhum OVNI. Isto é uma passadeira, vocês são peões e eu parei. Qual é o filme aqui? O filme é que eles não atravessaram, eu fiquei a fazer figura de alien e para ajudar à festa chega-se atrás de mim um carro da polícia, isso mesmo, leram bem, e resolve apitar-me e ultrapassar-me. E eu o que fiz? Passei-me. Deixei andar a polícia e depois comecei a passar-me com os peões indicando-lhes a passadeira e mandando-os passar. Que raio!!! Fiquei verdadeiramente furiosa com aquela situação, com a polícia e com os peões mas pensando bem eles é que têm razão. A alien aqui sou mesmo eu. Venho para cá cheia de ideias civilizadas, a fazer o bem e tentando que eles percebam que estão a proceder erradamente. Mas como é que eu, sozinha, posso fazer frente a séculos de mentalidade distorcida e do dia para a noite ensiná-los? Impossível, certo? Portanto, “lesson learned”. A partir desse dia deixei de ser “totó” e passei a ignorar os peões nas passadeiras. Não querem passar? Quem sou eu para os contrariar! Claro que a minha natureza civilizada não foi enterrada nas profundezas. De vez em quando porto-me bem e recebo em troca uns olhares estranhos mas, enfim, “this is China”! Habitua-te Elizabete!
Aprende-se muito sobre um país explorando-o fisicamente mas também lendo sobre a sua história e cultura. Há uma autora que já conheço há algum tempo mas que só agora tive oportunidade de começar a ler e que me está a deliciar com a sua narrativa. Xinran é uma jornalista chinesa nascida em 1958 em Pequim e autora de vários livros sobre a condição feminina na China e sobre a política do filho único que entrou em vigor neste país na década de 70. Com uma visão privilegiada da cultura chinesa e da cultura ocidental (mudou-se para Londres em 1997), é através dela que estou a perceber melhor uma parte da história recente da China. Tem sido uma viagem de descoberta desde que cá cheguei e agora encontrei em Xinran uma guia excelente. O livro que estou presentemente a ler – Buy me the sky – não será certamente o último. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Em abril...

Em abril…águas mil…pois sim mas só por terras lusas pois por aqui a Primavera vive-se com tempo seco e uns bonitos 26 graus.

Precisamente um mês depois do último texto, estou de volta com o relato de mais umas quantas aventuras. Sinto, no entanto, que vos devo uma desculpa. Este blogue começou por receber vários textos por mês e por agora só está a receber um. A ideia não é torná-lo mensal mas as circunstâncias do dia-a-dia não têm permitido que seja de outra forma.

Um típico dia de uma dona de casa não passa por ver todas as telenovelas brasileiras ou ir tomar café com as amigas igualmente “desocupadas”. Os meus dias passam por uma série de tarefas que também cansam, que também moem: preparar refeições, ser motorista, fazer compras, arrumar a casa, passar a ferro, brincar com os filhos, ajudar a fazer os tpc, etc, etc, etc… na verdade eu fazia tudo isto quando era professora em Portugal…só que aí não “perdia” tanto tempo no trânsito, preparava menos refeições (não cozinhava ao almoço), tinha os avós por perto para dar uma ajudinha com as crianças e também cheguei a ter empregada. Bom, as desculpas valem o que valem e vocês podem dizer que fazem isso e muito mais e que não entendem o meu “cansaço”. Na verdade não me estou a queixar. Estou apenas a explicar por que razão não tenho dedicado mais tempo ao blogue, assim como não tenho dedicado mais tempo à leitura ou ao Facebook ou a passear…são escolhas que se fazem e prioridades que se definem.

Voltando às minhas aventuras…a maior neste mês que se passou foi o meu aniversário, claro está. Um belo dia de primavera, a família, alguns amigos e um excelente almoço bastaram para que fosse um dia (quase) perfeito. Fomos almoçar ao Din Tai Fung – uma marca com origem em Taiwan e que hoje em dia tem restaurantes espalhados pelo mundo. Foi o segundo restaurante da marca que visitei e mais uma vez não fiquei arrependida. Que delícia de “xiaolongbao” (soup dumplings), “jiaozi” (dumplings) e “baozi” (steamed buns). Bem à medida da ocasião! Só não foi 100% perfeito porque não tinha comigo os meus pais, também eles de parabéns. Contudo, recebi um belo (e por sinal caríssimo) ramo de flores do maridão e dos filhos, uma planta e um bolo de aniversário muito gostoso da prima e mais uns presentes de alguns amigos. Acima de tudo, senti-me feliz e preenchida apesar da distância dos meus pais e dos meus velhos amigos. Recebi também muitas mensagens e algumas tocaram bem fundo no meu coração, de amigos a quem quero o melhor do mundo e que nem sabem o bem que me fazem só por estarem lá, do outro lado, quando me apetece dizer um simples “olá”. Depois há os outros, aqueles com quem não falo há tanto tempo, com quem não tomo café há eternidades mas que me fazem uma falta imensa. Todos vocês têm a vida preenchida e ocupada, assim como eu tenho a minha, mas é tão bom ter notícias vossas, nem que seja pelo Facebook. Fico grata pelo vosso carinho. Oxalá haja possibilidade de me encontrar com alguns no meu regresso a Portugal este verão. 

O André continua na sua luta diária para aprender Inglês e posso garantir-vos que estamos muito orgulhosos do seu percurso. O feedback dos professores tem sido muito positivo e os progressos na língua de sua majestade Isabel II (que amanhã completa 90 anos!) são bem visíveis. A Catarina também está muito bem adaptada: fala em chinês, canta em inglês e faz birras em português. Uma verdadeira poliglota.

Páscoa 2016
A 27 de março celebrou-se a Páscoa. Confesso que a data me teria passado completamente despercebida não fosse o almoço que o CPP (Clube Português de Pequim) organizou no bairro de Gulou (outra zona emblemática e central da cidade). O assado de Páscoa, o pão-de-ló e as amêndoas foram trocados por bombons, ovinhos de Páscoa para decorar e um buffet eclético e divertido. Não foi melhor nem pior do que em Portugal, foi diferente. Foi sobretudo mais um pretexto para juntar falantes da nossa língua e conviver com os amigos.

No início deste mês celebrou-se o Qingming Festival, também conhecido como Tomb Sweeping Day. Há quem o compare ao “nosso” 1 de novembro por se tratar de um dia de feriado nacional dedicado aos familiares falecidos. Neste dia é comum visitar-se os cemitérios, limpar os túmulos dos entes falecidos, rezar e prestar-lhes homenagem através da oferta de flores, comida, chá, vinho e incenso. Nesse dia feriado (uma segunda feira) aproveitamos o bom tempo e fomos visitar os “hutongs”, bem no coração de Pequim. Os “hutongs” são visita obrigatória para quem vem à China, especialmente se o destino for Pequim ou uma qualquer cidade do norte onde os “hutongs” são mais comuns. Trata-se de um conjunto de ruas estreitas e becos que se cruzam formando pequenos aglomerados ou bairros com arquitetura tradicional chinesa. Em Pequim existiram muitos ao longo dos séculos mas a certa altura o desenvolvimento económico e o crescimento demográfico ditou a demolição de muitos para no seu lugar serem erguidos edifícios gigantes e modernos. Hoje em dia os chineses têm uma visão diferente e é tempo de preservar estes lugares centenares que ainda sobrevivem. Muitos deles estão transformados em zonas comerciais e habitacionais onde o chinês e o turista coabitam com naturalidade. A Primavera é uma altura muito agradável para se visitar um “hutong” pois aproveita-se, em simultâneo, o bom tempo, as comidas de rua, a boa disposição das pessoas (libertas que estão das amarras do inverno rigoroso), os terraços e esplanadas (sem correr o risco de derreter ao sol) e as imensas árvores floridas que convidam a muitas selfies. Passámos um dia muito agradável no “hutong” junto ao lago Shichahai, comemos “jiaozi” no Mr. Shi’s – um “tasco” com uns dumplings maravilhosos - deixámos a nossa bandeira na parede do restaurante e cheguei a casa com uma valente dor nos pés. A reter para uma próxima aventura nos “hutongs”: experimentar mais comidas de rua, tirar mais selfies e calçar sapatilhas.

Uns dias mais tarde, aproveitando mais um excelente dia de primavera e baixos níveis de poluição, fomos dar uma espreitadela (de quase 4 horas) ao mercado de Panjiuyuan. Diz-se por aí que é o maior mercado de antiguidades de toda a Ásia e eu sou menina para acreditar. Com mais de 3000 bancas e dos mais variados artigos à venda (antiguidades e não só), vale bem a pena a visita…mesmo que apenas se tenha comprado incenso.
Pormenor de uma esquina 

E os planos para novas aventuras não param. Já na próxima sexta-feira teremos uma “Multicultural Food Fair” na escola do André. Vamos ter a oportunidade de dar a provar à restante comunidade escolar alguns dos nossos tesouros gastronómicos. Logo vos conto como correu. Temos umas quantas surpresas na manga.
@Mr. Shi's restaurant


Por aqui ou na página do Facebook, não deixem de seguir as nossas aventuras e vão deixando os vossos comentários, questões ou sugestões. Continuação de boa semana para todos.  

No lago de Shichahai

domingo, 20 de março de 2016

Bem-vinda Primavera!

Dá para acreditar que já estou aqui há 8 meses? Impressionante como o tempo voa! Não há um dia que passe e eu não me sinta arrebatada pela imponência e singularidade deste país. Ainda hoje, enquanto aguardava impacientemente na fila pela mudança do semáforo, me pus a observar o movimento à minha volta. Nem a avenida mais movimentada de Lisboa e do Porto, juntas, em hora de ponta, conseguem ultrapassar o frenes de uma qualquer avenida de Pequim às 11h da manhã. Experienciar isto e, semana após semana, levantar as camadas desta cultura, é uma verdadeira aventura e sinto-me uma felizarda por poder estar a fazê-lo.
Claro está que nem tudo são rosas pois também estas têm os seus aguçados espinhos. A poluição, os cortes constantes no acesso à Internet e o custo de vida, a par das saudades da família e amigos, são o lado negativo de toda esta experiência.
E por falar em custo de vida… hoje de manhã fui às compras. Duas horas e meia a saltar de loja em loja à procura de promoções. Sei que já vos falei disto noutras alturas mas nunca é demais referir os preços exorbitantes que aqui se praticam e eu preciso de “falar” disto pois cada vez que vou às compras é como se estivesse a lutar contra um monstro de muitas garras. Um iogurte grego de 100gr a 4€? Um quilo de carne de vaca a 9€? Um pacote de leite meio gordo a 2,5€? Um quilo de farinha a 6€? Um cappuccino a 4€?????????? Que país é este de desigualdades tão profundas onde os ricos acham isto tudo super barato e os pobres nem se atrevem a entrar nos mercados? Dá que pensar!
Algo que ainda se consegue por aqui a preços razoáveis é uma empregada (ayi). Por 3,5€ à hora já se consegue arranjar alguém que nos venha limpar a casa e passar a roupa a ferro. Mas é preciso ter sorte com quem se arranja…Eu não diria que a nossa “ayi” foi uma má experiência. Eu gosto de pensar que foi uma experiência de aprendizagem. Alguém (que não eu) deveria dedicar o seu tempo livre à elaboração de um manual: “Como encontrar, negociar, contratar, lidar, explicar, aturar e despedir uma ayi”. Aposto que ia ser um verdadeiro sucesso entre a comunidade expat de Pequim. Encontrar foi, de facto, a parte mais simples de todo o processo. O problema foi ela aprender a fazer as camas e limpar as casas de banho decentemente. Além de que um pouco de humildade, genica e respeito não lhe tinham ficado mal. Sem entrar em pormenores, resta-me dizer-vos que foi uma experiência a não repetir e que ao fim de uma semana e meia já a tínhamos mandado embora.
Não me querendo alongar em assuntos delicados, e porque viver na China também significa ficar-se de vez em quando sem acesso à Internet, ter cuidado com o que se diz, escreve e lê, posso no entanto dizer-vos que muito se passou desde que contribui para este blog em meados de fevereiro. Para começar, já lá vão três semanas de curso básico de mandarim: seis aulas, dezoito horas, muita diversão, uma lǎoshī (professora) simpática, duas “colegas de carteira” bem dispostas (uma alemã e uma francesa)… e um valente nó a formar-se na minha cabeça com a mais recente introdução da aprendizagem dos caracteres chineses. Entenda-se: eu disse curso básico, não disse curso fácil. Pelo menos já consigo entrar no café e pedir o que quero sem fazer figura de ursa!
Continuando o tema Educação, o André tem progredido bastante na escola. Já fala com todos em inglês, mesmo com os seus colegas italianos, brasileiros e espanhóis. Ultimamente teve uma série de participações muito positivas em competições de natação, conseguindo segundos e terceiros lugares e melhorando os seus tempos pessoais. Go BobcatFish! Acima de tudo, ficámos muito felizes por querer participar nestes eventos, fazer mais amigos e manter-se saudável. Esta semana vai ser bastante preenchida lá na escola com várias atividades interessantes e ele anda em pulgas: hoje é o pink shirt day - dia da t-shirt rosa - assinalando o International Day for the Elimination of Discrimination and Racism, amanhã é dia de representar o seu país, quarta é o dia do pijama, etc…
Quanto à Catarina, não imaginava que em tão pouco tempo se ia adaptar tão bem à pré. Está a desenvolver-se a olhos vistos, com brincadeiras diferentes, adora contar histórias aos seus bonecos e põe os avós a fazer as maiores palhaçadas via Skype. Está também uma tagarela em português e em “mandarim catarinês”. Já entende e fala mais mandarim do que qualquer um de nós cá em casa!

E… terminou o Inverno. Ó sim…adeus neve, adeus vento cortante e gelado, adeus temperaturas negativas dias e dias a fio, adeus luvas, gorros, cachecóis, térmicas, botas de neve e casacos de esquimó!! Sejas bem-vinda Primavera - minha estação do ano preferida! Bora lá sair da toca e descobrir a cidade e os tons primaveris.

Pink Shirt Day

Com uma das professoras do 4º ano

Parte do grupo BobCatFish