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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Emigrante, Imigrante ou Expat?




Estes dias ao ler um artigo numa das muitas revistas dedicadas à comunidade estrangeira residente em Pequim deparei-me com esta questão. A cidade está bem servida deste tipo de literatura: Time Out Beijing, Beijing Kids, That’s Beijing, City Weekend Beijing… Todas escritas em inglês e acessíveis gratuitamente em um qualquer café, restaurante, supermercado ou escola internacional. Abordam questões práticas e úteis para qualquer família estrangeira residente em Pequim, explicam aspetos da cultura chinesa, apontam factos e números, dão dicas e, sobretudo, são divertidas e agradáveis de ler…e todas elas referem a palavra “expat” em vez dos termos “emigrante” ou “imigrante”. Na verdade, foi aqui que primeiro dei atenção à palavra. Sempre achei que era uma emigrante/imigrante como qualquer outro dos milhares de portugueses que encontramos espalhados pelo mundo. Emigrante/Imigrante intermitente desde os 23 anos? Será que sim? Ou será que afinal sou uma expat como os outros estrangeiros que por aqui circulam nesta cidade de milhões de habitantes? O que é que faz de mim uma ou outra? Qual o termo que melhor me define? Qual é, afinal, a diferença entre eles?
Longe de querer dar lições de Português seja a quem for, os termos “emigrante” e “imigrante” têm ambos a sua origem na palavra “migrante” (aquele que muda de uma região para outra ou de um país para outro) e qualquer criança aprende a distingui-los na escola. À palavra “migrante” acrescentam-se prefixos com significados diferentes e assim “emigrante” é aquele que sai de um país para viver noutro, ao passo que o “imigrante” é aquele que entra num país para nele viver. Na verdade, ambos se referem à mesma pessoa. Assim, eu sou considerada “emigrante” pelo meu país e “imigrante” pelo país que me acolheu.
Por seu lado, a palavra “expat” é um diminutivo para a palavra “expatriate” e é traduzida para a nossa língua como “expatriado”. Um expatriado é alguém que vive e trabalha temporariamente num país diferente daquele onde nasceu, embora o termo também possa significar exilado ou desterrado. Hoje em dia, há correntes de pensamento diversas e que fazem a distinção entre os dois termos baseando-se na duração da estadia no estrangeiro, no local onde se pagam os impostos, nos salários auferidos e até mesmo na raça de cada um.
Defendem alguns que o “expat” fica menos tempo no local (em média quatro anos), ganha salários “chorudos”, tem um trabalho de secretária e vive uma vida “luxuosa”. Afirmam também que, regra geral, essa pessoa não se envolve muito com a comunidade local, não aprende a língua do país de acolhimento e provém de um país europeu ou de países como os EUA, a Austrália ou o Canadá. Por outro lado, o imigrante tende a viver muito mais tempo no país de acolhimento, em muitos dos casos não regressa ao país de origem para viver e tem um envolvimento muito maior com a comunidade local, aprendendo a língua e trabalhando, regra geral, em empregos menos qualificados.
Posto isto, após muita leitura e reflexão sobre o assunto, continuo sem perceber em qual dos termos encaixo melhor. Logo para começar porque não estou a trabalhar e isso “desqualifica-me” como imigrante e até como “expat”. Também não é verdade que não me envolvo com a comunidade local, que não a respeito ou que não aprendo a língua do país que me acolheu. Pelo contrário, tenho-me esforçado bastante, embora a barreira linguística seja difícil de ultrapassar.
Assim é em Pequim, assim foi em Timor Leste e em Freetown, e assim será no futuro para onde tiver que ir. Portugal estará sempre lá à minha espera mas espero que o meu caminho, para já, não passe por terras lusas. Nas últimas semanas tivemos que submeter as nossas preferências para uma nova colocação por quatro anos e a tarefa foi complicada. Do Iraque à África do Sul, do Afeganistão à Colômbia, da Ucrânia ao Brasil, da Indonésia ao Sudão do Sul, República Centro Africana, Nigéria, República Democrática do Congo, União Africana, Somália, Burundi, China, Haiti e Egito… A escolha foi difícil mas lá nos conseguimos decidir por uma lista de preferências. Qual seria a vossa? Ordenem lá de 1 a 17! Agora os dados estão lançados, o veredicto final está aí…quase quase a estoirar!

Concluo, portanto, que o que melhor me define é a vontade de conhecer mais e mais, de continuar esta aventura que começou há 16 anos. E se me querem rotular de alguma coisa, que seja de “aventureira” pois já não me imagino a viver a vida de outra forma. Portugal é o meu país, o meu cantinho, a minha arca dos tesouros onde encontro sempre a família e os amigos que adoro mas o mundo é a minha casa e uma constante fonte de inspiração e descoberta. Hoje estou aqui, para o ano estarei aqui até junho e em julho estarei em ?????? por quatro anos. 

2 comentários:

  1. Eu sei que daqui a 4 anos e qualquer coisa também quero estar em ?????? pelo menos duas semaninhas!

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