Seguidores

sexta-feira, 28 de julho de 2017

40 dias...

40 dias depois está na hora de regressar a casa. À minha espera terei muito calor,  poluição, uma casa bem sujinha, muita roupa para passar a ferro e, sobretudo, a minha Miquinhas cheia de saudade e de miminho. Regresso à minha rotina e ao meu cantinho…ainda que este fique a mais de 9000 km da terra que me viu nascer e daqueles que me deram vida.
Os últimos 40 dias foram tudo menos monótonos mas na hora do regresso há sempre a lista do que ficou por fazer que me deixa com pena de não ter  aproveitado melhor ou gerido melhor o meu tempo. Família e amigos que não se visitaram, petiscos que não se saborearam,  lugares que não se revisitaram…Se fizer bem as contas, muito ficou por fazer e só posso dizer que lamento muito não ter estado com todos aqueles que mostraram interesse em estar comigo e prometer-vos que da próxima vez vos recompenso. Entre partidas e chegadas há sempre muito que se perde e cada vez mais sinto isso na pele. Quero acreditar que não é por mal mas cada um segue o seu caminho, vive a sua vida e, inevitavelmente, ao cabo de uns tempos os caminhos que antes eram paralelos hoje são bem distantes. Valha-nos a Santíssima Trindade da era digital (Facebook, Instagram e Whatsapp) para ir mantendo mais ou menos estável o vínculo que nos une.
Falhas graves nestes 40 dias (não estão por ordem alfabética): ainda não ter ido jantar ao Vingança, não ter ido “turistar”no Porto, não ter comido a picanha do Imperador, não ter visitado o meu primo David, não ter abraçado a minha madrinha Mi, não ter tomado um cafézinho com algumas pessoas, não ter ido dar sangue, não ter comido mais peixe, não ter ido à praia,  não ter feito um piquenique,  não ter comido mais pastéis de nata, mais pastéis de Tentúgal e bolas de Berlim.
Por outro lado, consegui fazer alguns trabalhos de casa de mandarim,  fiz todos os exames médicos que precisava de fazer, li um livro muito interessante e apanhei muito sol para fazer subir os meus níveis de vitamina D que andavam baixinhos.
Se tudo correr bem, daqui a um ano estou de volta para poder gozar mais uns dias de férias no nosso belo cantinho. Até lá vamos trocando mensagens,  telefonemas e “likes” e que a saúde reine na casa de todos nós.

terça-feira, 13 de junho de 2017

É tão fácil gastar dinheiro em Pequim!! 😱😱😱😱😱

Pequim é uma cidade magnífica em muitos aspetos e, apesar de todos os seus defeitos (uns mais toleráveis do que outros), uma pessoa aprende a gostar de aqui viver. Como quando se ama uma pessoa…nem tudo são qualidades, também há alguns defeitos que escolhemos ignorar ou, pelo menos, tolerar.

Uma cidade de contrastes acentuados onde os muito ricos não sabem como gastar tanto dinheiro e os muito pobres lutam diariamente pela sobrevivência. Dirão vocês que é assim em todo o lado. Claro, com certeza têm razão, mas em nenhum outro lugar do mundo se encontra tanto esbanjamento de dinheiro por metro quadrado como aqui. Nos restaurantes, no entretenimento, nos carros, nos centros comerciais…é incrível! Em nenhum outro lugar do mundo se vêm tantos carros de alta cilindrada, caríssimos, como aqui. Em nenhum outro lugar se vêm lojas de alta-costura cheias de clientes como aqui. Comenta-se que também aqui há os “falsos ricos”, aqueles que aparentam ter mas na verdade nada têm. Também os há por cá mas os outros, os verdadeiramente ricos, gastam fortunas num abrir e fechar de olhos.

Pequim é um paraíso para quem gosta de comer bem, para quem gosta de experimentar novas texturas, sabores e cheiros. É também um paraíso para os viciados em compras com algum plafond na carteira. Eu como sou pobrezinha ao pé de todos estes chineses endinheirados, lá vou calcorreando as avenidas e becos desta cidade à procura de algumas pechinchas. Uma das minhas lojas favoritas de sempre é a Miniso. Quem já cá esteve de férias e teve a sorte de se aventurar numa das dezenas que existem espalhadas por Pequim, sabe bem que a Miniso é o paraíso das pechinchas com qualidade comprovada. Esta marca japonesa apostou forte em território chinês e eu só posso dizer: muito obrigada! De chapéus a meias, “tupperware” a escovas de dentes, perfumes a brinquedos…vale tudo!Esta loja passou a ser paragem obrigatória sempre que encontro uma. Não entrar seria um autêntico sacrilégio! Oxalá os japoneses exportem a marca para Jakarta! Hihihihi

As marcas internacionais de roupa, acessórios e perfumaria estão cá todas muito bem representadas mas com os preços inflacionados em relação a Portugal. Em alternativa temos a Uniqlo, também ela japonesa. Ouvi dizer que já chegou à Europa por isso aproveitem para dar uma espreitadela. De vez em quando encontram-se artigos giros e a preços acessíveis.

Fazer compras nesta cidade não é fácil, não só pelos preços exorbitantes de muitos artigos mas também pela escassez de alguns dos produtos que nos são mais familiares. Que falta me faz um Jumbo ou um Continente onde se consegue comprar tudo de uma vez só num único lugar. Semanalmente vou a Sanyuanli comprar carne e às vezes peixe, no Jenny Lou compro leite, no April Gourmet compro pão, no Jingkelong compram-se as cervejas, os dumplings, iogurtes e detergentes, no mercadinho ao ar livre compram-se frutas, legumes e ovos e, quando quero fazer aquelas compras do mês vou ao Carrefour ou ao Metro (igual à “nossa” Makro). E quando tudo isso falha…vai-se a Portugal e trazem-se enchidos, bacalhau e broa de Avintes!

Restaurantes então nem se fala! A lista é interminável. Nunca vi tanto restaurante por metro quadrado como aqui. Há alguns favoritos mas há um que me enche o coração porque é o "nosso" restaurante, o nosso lugar feliz com comida muito pouco saudável mas deliciosa e onde já passamos muitos momentos felizes. O Great Leap Brewpub #12 é uma segunda casa. Conhecemos-lhe os cantos e o menu já o sabemos de cor. Cheira a cerveja em fermentação e a boa disposição. 

E para que não se pense que passo os meus dias a gastar dinheiro, vou só falar-vos de mais um café que adoro e que tem a vantagem de ficar bem perto de minha casa. O Mann Coffee é coreano, o serviço é excelente e a comida e as bebidas são uma tentação. É verdade que os preços são um susto (um cappuccino por 5 euros desanima-me logo pela manhã) mas gosto tanto do ambiente relaxado, acolhedor e sossegado que, quando escrevo os meus textos, gosto de ir para lá e inspirar-me na bonita decoração.

Posto isto, vou de férias! Beijinhos, boas férias para vocês (se for o caso) e até breve!



Great Leap Brewpub #12

Mann Coffee

Miniso

Uniqlo


terça-feira, 16 de maio de 2017

E o próximo destino é...

O prometido é devido. A decisão já foi tomada e, portanto, chegou a hora de vos dar a conhecer a nossa próxima aventura.

O próximo destino é conhecido pelas praias exóticas mas também pelos engarrafamentos monumentais…piores até do que em Pequim! Socorro!!! 

As temperaturas agradáveis durante todo o ano (à volta dos 28°C) contrastam com os altos níveis de humidade, prevendo-se extensos momentos de sauna para os próximos anos! Socooorro!!!

Porque gostamos de lugares onde tudo é em grande, quando sairmos da China vamos para o quarto país mais populoso do mundo (com cerca de 300 grupos étnicos e 742 línguas e dialetos), o maior arquipélago do mundo, o país com maior concentração de muçulmanos do mundo e o segundo maior em termos de biodiversidade. Este paraíso para os biólogos é também uma das suas maiores dores de cabeça pois muitas espécies estão neste momento em vias de extinção devido ao uso abusivo dos recursos naturais e à desflorestação, causando variados problemas ambientais nomeadamente a contaminação das águas e a poluição do ar. Pois é, ainda não é desta que nos livramos da maldita poluição mas pelo menos os valores não são tão assustadores como em Pequim. Vá lá, vá lá…

A área metropolitana da capital (onde iremos morar) tem sensivelmente 18 milhões de habitantes. No passado foi visitada pelos portugueses no ano de 1513 e no século XVII tinha o nome de Batávia.

A localização geográfica também não está nada mal com vizinhos simpáticos como Timor-Leste (um regresso há muito desejado), Singapura, Malásia, Filipinas e Austrália. Já podem imaginar os filmes que a minha cabecinha de viajante está a fazer, não é?

Sonhos e planos à parte, restam-nos 14 meses na China e a contagem decrescente começou. Tanto ainda por visitar, aqui mesmo em Pequim, tanto por explorar, tão pouco tempo para o fazer e a certeza de que este país me vai deixar imensas saudades.


PS. Já sabem para onde é que vamos, certo?




segunda-feira, 1 de maio de 2017

Emigrante, Imigrante ou Expat?




Estes dias ao ler um artigo numa das muitas revistas dedicadas à comunidade estrangeira residente em Pequim deparei-me com esta questão. A cidade está bem servida deste tipo de literatura: Time Out Beijing, Beijing Kids, That’s Beijing, City Weekend Beijing… Todas escritas em inglês e acessíveis gratuitamente em um qualquer café, restaurante, supermercado ou escola internacional. Abordam questões práticas e úteis para qualquer família estrangeira residente em Pequim, explicam aspetos da cultura chinesa, apontam factos e números, dão dicas e, sobretudo, são divertidas e agradáveis de ler…e todas elas referem a palavra “expat” em vez dos termos “emigrante” ou “imigrante”. Na verdade, foi aqui que primeiro dei atenção à palavra. Sempre achei que era uma emigrante/imigrante como qualquer outro dos milhares de portugueses que encontramos espalhados pelo mundo. Emigrante/Imigrante intermitente desde os 23 anos? Será que sim? Ou será que afinal sou uma expat como os outros estrangeiros que por aqui circulam nesta cidade de milhões de habitantes? O que é que faz de mim uma ou outra? Qual o termo que melhor me define? Qual é, afinal, a diferença entre eles?
Longe de querer dar lições de Português seja a quem for, os termos “emigrante” e “imigrante” têm ambos a sua origem na palavra “migrante” (aquele que muda de uma região para outra ou de um país para outro) e qualquer criança aprende a distingui-los na escola. À palavra “migrante” acrescentam-se prefixos com significados diferentes e assim “emigrante” é aquele que sai de um país para viver noutro, ao passo que o “imigrante” é aquele que entra num país para nele viver. Na verdade, ambos se referem à mesma pessoa. Assim, eu sou considerada “emigrante” pelo meu país e “imigrante” pelo país que me acolheu.
Por seu lado, a palavra “expat” é um diminutivo para a palavra “expatriate” e é traduzida para a nossa língua como “expatriado”. Um expatriado é alguém que vive e trabalha temporariamente num país diferente daquele onde nasceu, embora o termo também possa significar exilado ou desterrado. Hoje em dia, há correntes de pensamento diversas e que fazem a distinção entre os dois termos baseando-se na duração da estadia no estrangeiro, no local onde se pagam os impostos, nos salários auferidos e até mesmo na raça de cada um.
Defendem alguns que o “expat” fica menos tempo no local (em média quatro anos), ganha salários “chorudos”, tem um trabalho de secretária e vive uma vida “luxuosa”. Afirmam também que, regra geral, essa pessoa não se envolve muito com a comunidade local, não aprende a língua do país de acolhimento e provém de um país europeu ou de países como os EUA, a Austrália ou o Canadá. Por outro lado, o imigrante tende a viver muito mais tempo no país de acolhimento, em muitos dos casos não regressa ao país de origem para viver e tem um envolvimento muito maior com a comunidade local, aprendendo a língua e trabalhando, regra geral, em empregos menos qualificados.
Posto isto, após muita leitura e reflexão sobre o assunto, continuo sem perceber em qual dos termos encaixo melhor. Logo para começar porque não estou a trabalhar e isso “desqualifica-me” como imigrante e até como “expat”. Também não é verdade que não me envolvo com a comunidade local, que não a respeito ou que não aprendo a língua do país que me acolheu. Pelo contrário, tenho-me esforçado bastante, embora a barreira linguística seja difícil de ultrapassar.
Assim é em Pequim, assim foi em Timor Leste e em Freetown, e assim será no futuro para onde tiver que ir. Portugal estará sempre lá à minha espera mas espero que o meu caminho, para já, não passe por terras lusas. Nas últimas semanas tivemos que submeter as nossas preferências para uma nova colocação por quatro anos e a tarefa foi complicada. Do Iraque à África do Sul, do Afeganistão à Colômbia, da Ucrânia ao Brasil, da Indonésia ao Sudão do Sul, República Centro Africana, Nigéria, República Democrática do Congo, União Africana, Somália, Burundi, China, Haiti e Egito… A escolha foi difícil mas lá nos conseguimos decidir por uma lista de preferências. Qual seria a vossa? Ordenem lá de 1 a 17! Agora os dados estão lançados, o veredicto final está aí…quase quase a estoirar!

Concluo, portanto, que o que melhor me define é a vontade de conhecer mais e mais, de continuar esta aventura que começou há 16 anos. E se me querem rotular de alguma coisa, que seja de “aventureira” pois já não me imagino a viver a vida de outra forma. Portugal é o meu país, o meu cantinho, a minha arca dos tesouros onde encontro sempre a família e os amigos que adoro mas o mundo é a minha casa e uma constante fonte de inspiração e descoberta. Hoje estou aqui, para o ano estarei aqui até junho e em julho estarei em ?????? por quatro anos. 

quarta-feira, 22 de março de 2017

(Des)aparecida!

Muito podia eu dizer sobre o facto de estar há dois meses sem publicar nenhum texto. Razões há muitas, sendo que a falta de tempo e a preguiça são as principais. Entre final de janeiro e o dia de hoje muito se passou (férias nas Filipinas, exame de Mandarim, descobertas interessantes, planos para um futuro a médio prazo) mas há uma coisa sobre a qual eu tenho que falar em primeiro lugar: a mala. Eu contei-vos que uma das nossas malas desapareceu na viagem entre o Porto e Pequim no início deste ano? Como qualquer emigrante português que se preze, uma ida de férias à terra natal significa viajar de regresso ao país de trabalho carregado de bacalhau, enchidos, queijo, vinho e azeite. Desta vez não foi exceção, o problema é que a mala nunca chegou a Pequim…ou melhor, chegou, dois meses depois…quando todos os enchidos, queijo e bacalhau estavam a modos que podres, a cheirar tenebrosamente mal e a criar larvas. Desculpem se coloco as coisas desta forma tão crua, mas foi mesmo assim que a mala chegou ao cabo de dois meses às minhas mãos. A comida podre acabou misturada com todas as peças de roupa e obrigou a máquina de lavar a trabalho extra durante uma semana. Para além da roupa, salvou-se o Mokambo (de sabor mais agradável que o Nescafé que por aqui se vende), o Pensal (os chineses desconhecem a cevada), algumas especiarias, os frascos de picante, as sementes de couve-galega que havemos de plantar (assim que eu comprar terra), três míseras latas de salsichas de aves e uma garrafa de azeite. Sim, trazíamos muita coisa boa naquela mala. 32 kg de produtos portugueses para amenizar as saudades do nosso país e, sobretudo, da nossa gastronomia. Descobrimos que a mala passou estes dois meses enfiada algures numa sala do aeroporto de Pequim e descobri também, ao abri-la, que as latas de atum e os brinquedos da Catarina foram retirados da mala. Sim, e quando digo “retirados” o que quero realmente dizer é “roubados”.

As aulas de Mandarim continuam a bom ritmo e no meio de gargalhadas e muita boa disposição. O nível 2 foi bom e o 3 está a ser excelente. No domingo passado fiz o HSK2 – um exame que qualquer aluno que estude mandarim pode fazer desde que pague 250 RMB de inscrição. Se passei? Não sei mas julgo que sim. As notas só serão divulgadas daqui a umas semanas. Foi uma manhã de domingo diferente mas muito bem passada. Por um lado sei que estive serena e à altura do desafio. Uma vitória mental pois a língua é bem complicada e estes pequenos desafios põe-me à prova. Por outro o convívio com as minhas 朋友 (Péngyǒu - amigas). Juntas fazemos uma equipa super divertida, sem medo dos desafios.

E por falar em desafios…semana passada lá foi parte da equipa de mandarim às compras. Em consequência de algumas medidas governamentais para reduzir os níveis de poluição na cidade, partes da cidade estão a ser demolidas e no seu lugar irão nascer zonas verdes. Estas medidas, embora positivas, estão a ter impacto negativo em muitos negócios familiares e, consequentemente, as famílias vêm-se obrigadas a fechar as suas lojas. Foi o caso da Tracy e do seu negócio de antiguidades. Recebeu uma carta para fechar portas até final de abril e a palavra espalhou-se entre a comunidade internacional residente em Pequim, sempre desejosa de uma boa pechincha e, no meu caso, desejosa de comprar artigos tipicamente chineses. O armazém onde a Tracy guarda os seus produtos fica à saída do quarto anel, a cerca de 35m de carro do local onde moro. Para lá chegar tivemos de pedir ajuda ao GPS que, mesmo assim, me fez andar às voltas do quarteirão por duas vezes. Não há placas que ajudem, não há letreiros, apenas caracteres chineses e o nome “Tracy’s Antiques” pintado na parede de cimento do armazém. Também não há nada que nos prepare para o que vamos encontrar mesmo ao lado do armazém: Entulho, pobreza, vidas difíceis e amarguradas de quem vive com muito pouco. Lá dentro, apesar do frio cortante, o ambiente é acolhedor e simpático e a nossa anfitriã desenrasca-se bem com o inglês. Os artigos são lindíssimos e apetece trazer tudo para casa mas, apesar dos preços convidativos, lá me contenho e trago apenas algumas peças que me deixaram muito feliz. Saímos de lá mais leves na carteira mas bem mais ricas de cultura e a minha casa parece-se cada vez mais com um “doce lar”.

E hoje resolvi dar início a uma nova “rubrica” neste meu blog intitulada “palavra do mês”. A palavra escolhida para estes dois meses que passaram é (páiduì) ou, na versão portuguesa, “fazer fila”. Escolhi esta porque é aquilo que neste momento me faz mais confusão. Este país simplesmente não entende o conceito de fazer fila, esperar vez e ter respeito pelo próximo. Exemplos não faltam desde a fila para o banco, a fila para pesar os legumes no supermercado, a fila para pagar as compras, a fila para apanhar o autocarro, a fila para entrar no restaurante, a fila de trânsito…é a verdadeira selva…e o mais impressionante é que, chamados à atenção, ainda se acham com mais razão e não entendem por que nos sentimos tão indignados.

Outro motivo de profunda indignação é estar quase no final de março, tecnicamente já ser primavera e não se ver sinais dela em lado nenhum nesta cidade. Frio e altos níveis de poluição a acompanhar: a receita perfeita para uns dias depressivos.

Tristezas à parte, em breve terei visitas e estou muito feliz por isso. Parece que 2017 é o ano que vai dar a conhecer Pequim a alguns dos meus amigos e eu tudo farei para ser uma boa anfitriã. O “hotel” ainda tem datas livres por isso é ver na agenda que daqui a pouco mais de um ano a aventura na China termina!

A lixeira à entrada do armazém das antiguidades
 
Interior do armazém da Tracy

Estatueta

Baú
Pintura para emoldurar e molde de "mooncakes"

Pratos decorativos
Tambor decorativo

Exame HSK 2

Documento de acesso ao exame


domingo, 22 de janeiro de 2017

Xīnnián kuàilè!

Feliz Ano Novo a todos! Será que ainda vou a tempo de vos desejar um bom ano ou já parece um pouco mal? Quando o que se pretende é desejar boas coisas, qualquer altura é boa, certo? Pelo menos eu penso assim…e, afinal de contas, só passaram 22 dias! Aproveitem ao máximo 2017 e lembrem-se que 365 dias passam a correr. Não adiem as famosas resoluções de ano novo ou então criem novas que sejam mais ajustadas à vossa realidade. Espero que não tenham feito como eu que engoli as 12 passas (confesso que não é o meu fruto seco preferido) de uma assentada e só no dia seguinte me lembrei que não pedi qualquer desejo ou pensei em qualquer objetivo para este ano. Mas isso sou eu que sou tontinha…vocês de certeza que não se esqueceram!!! Desejos para 2017? Muitos! Acima de tudo, saúde, paz de espírito, vontade de sonhar e continuar a ter ganas de viver feliz! 

Olhem…e já agora que entrei no espírito da coisa…feliz ano novo chinês também, que eu sei que são todos uns aficionados do horóscopo chinês e dos ensinamentos do senhor Confúcio. Pronto, talvez não sejam, mas deviam pois o senhor até tinha algumas ideias interessantes. A China, os chineses na China e os chineses espalhados por este mundo fora (e olhem que são muitos!) entraram em modo “Ano do Galo” e não há quem os pare. A maior migração a nível mundial recomeçou e é vê-los a atravessar territórios, percorrer centenas e milhares de quilómetros com o mais maravilhoso dos objetivos: rever os seus familiares queridos de quem estão separados durante todo o ano. Ao longo de duas semanas as celebrações do ano novo chinês são a desculpa perfeita para comer “Jiǎozi” (dumplings)… como se fossem necessárias desculpas para os comer… são tão bons!!!!!! Durante duas semanas pára tudo e acreditem que é mesmo tudo: lojas, fábricas, negócios…A cidade de Pequim fica reduzida a números estranhos. Circula-se bem nas ruas, não há poluição, não há tantas buzinadelas. Em contrapartida, ouve-se fogo-de-artifício e parece que estamos em cenário de guerra dia e noite! Os chineses lançam foguetes para espantar as más energias e o azar. Vestem roupas vermelhas e penduram lindíssimas lanternas vermelhas nas suas casas. Esta cor é a preferida dos chineses por simbolizar sorte, amor, sucesso e riqueza. Este ano o macaco passa o testemunho ao galo e espera-se que o ano seja de saúde, renovação, sorte e prosperidade. No fundo, o discurso não se altera, só muda o animal! 

  Lanternas vermelhas
À entrada do nosso condomínio

 A chegar a casa
Gosto de me juntar às festividades dos meus anfitriões e comprei um galo para a entrada e dois “peluches-galo” para os miúdos. Temos comido dumplings, deseja-se “Xīnnián kuàilè” (Feliz Ano Novo) a toda a gente e temos o prédio todo engalanado de lanternas vermelhas e outros adereços alusivos à época. Na escola da Catarina fizeram uma festa, na escola do André aproveitaram o pinheirinho de Natal e em vez das bolas e da estrela penduraram “Hóngbāo” (envelopes vermelhos onde tradicionalmente se oferece dinheiro durante esta época) e tangerinas/laranjas (frutas associadas à lua por causa da sua forma redonda e porque a sua pronúncia em chinês se assemelha à palavra “sucesso”) e os miúdos vão ter uns dias de férias escolares para que todos possam celebrar convenientemente.                     
Os galitos
A nossa porta
                                                           
A entrada para os elevadores
Festividades à parte, por cá a vida voltou à normalidade depois de quase um mês de férias em Portugal. Para não variar, regressar a Portugal foi sinónimo de reunir familiares e amigos à volta de umas belas patuscadas e, no final, encontrar 3 quilos que há muito andavam desaparecidos. Por isso, desde o nosso regresso, retomámos a alimentação saudável e equilibrada e fizemos o luto a uma mala recheada de 32 kg de enchidos, queijos e bacalhau que ficou perdida em combate algures entre Portugal e Pequim. Os miúdos retomaram as aulas sem sobressaltos, o André fez provas e voltou a entrar para a equipa de natação da escola e eu retomei o curso de mandarim com a equipa maravilha. Se estou preparada para o nível 3? Ó MEU DEUS! Daqui a umas semanas digo-vos se me estou a safar ou não!

Ontem foi dia de ir ao Circo. Confesso que não sou fã acérrima deste tipo de espetáculo mas os bilhetes foram oferecidos (pela nossa senhoria) e a curiosidade de saber se era algo semelhante ao nosso em Portugal falou mais alto. Além disso, o circo foi exibido no complexo gimnodesportivo mesmo ao pé de nossa casa e era uma pena desperdiçar a oportunidade de percorrer 10 minutos a pé (ida e volta) debaixo de -11°C e quase congelar as mãos e a ponta do nariz. E lá fomos…felizes e congelados! O espetáculo foi engraçado ou, pelo menos, teve alguns momentos divertidos com os palhaços a interagir com o público e alguns ginastas audazes a desafiar o perigo e a arrancar “uuuuhhhhhhsss” à audiência. Pontos negativos? O recurso a tigres, ursos, leões e elefantes para o entretenimento e para lucro. Pobres animais! Fiquei muito triste por ver, especialmente porque muitos deles tinham mesmo um ar de absoluta tristeza, de falta de cuidado e alimentação. Para quando a decisão de proteger estes animais?

Por último, uma referência especial ao animal que é o nosso símbolo nacional. Os chineses bem podem ter o ano do galo em 2017 mas nós temos um galo bem bonito todos os anos e há muitos anos, de Barcelos para Portugal…de Portugal para o mundo e, mais propriamente, para a China. Créditos para o maridão que teve a ideia fantástica e bem-sucedida de oferecer uns galitos bem portugueses a alguns chineses. Adoraram!!!!!!!!! Como não adorar senhores? É português! ;) 


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

À grande e à... chinesa!

Muito tenho eu escrito sobre Pequim nestes meus textos, o nosso quotidiano, aventuras e desventuras mas parece-me que muitos de vocês não conhecem verdadeiramente a cidade…geograficamente falando. Assim, para os meus amigos geógrafos e todos os outros curiosos que seguem este blogue, aqui ficam alguns dados sobre uma das cidades mais populosas do mundo e que parece querer bater recordes mundiais em várias áreas. 
Pequim é uma cidade gigantesca em muitos aspetos: na dimensão espacial que ocupa, no número de habitantes, no número de linhas de metro e quilómetros que este percorre, no número de monumentos Património da Humanidade, entre outros… mas já lá vamos a cada um deles.

Para começar convém explicar o significado da palavra. Pequim para os portugueses, Beijing para os ingleses, 北京 Běijīng para os chineses. 北 ou Běi significa “norte” e 京 ou jīng significa “capital”. Sendo assim, é literalmente a “capital do norte”, capital da República Popular da China, segunda maior cidade do país (a seguir a Xangai) e ainda centro político, educacional e cultural da China. Não admira portanto que nesta cidade se concentre boa parte dos estrangeiros residentes no país, espalhados por empresas, escolas, embaixadas, negócios próprios e estudos académicos. 

O município de Pequim compreende uma área de cerca de 17 000 km², quase 20 milhões de habitantes e 16 subdivisões administrativas. Uma rápida pesquisa no Google sobre Lisboa e ficam logo a perceber a loucura que é esta cidade comparada com a nossa “pequenina” capital. Qualquer mapa de Pequim mostra a cidade dividida em 5 anéis. O centro compreende a Praça Tiananmen e a Cidade Proibida e está rodeado pelo primeiro anel que é mais de forma retangular do que circular. Os restantes anéis expandem-se pela cidade bem como as principais autoestradas e linhas de metro. O metro é um verdadeiro emaranhado de linhas, estações, entradas e saídas. Neste momento estão em funcionamento 19 linhas, o equivalente a cerca de 600 quilómetros, o que o torna o maior do mundo. Nas estações mais centrais podemos encontrar até quatro saídas diferentes (identificadas com as letras A, B, C e D) e errar na saída pode significar andar alguns quilómetros para se encontrar o que se quer. Também o aeroporto (PEK) é enorme e tem sido, de há uns anos a esta parte, considerado o segundo mais movimentado do mundo. 
Ainda no que diz respeito aos transportes, Pequim é mundialmente famosa pela quantidade descomunal de bicicletas que circulam nas suas ruas diariamente. Há quem diga que são 9 milhões mas pessoalmente acho o número um bocadinho exagerado. De qualquer forma, só esta questão das bicicletas “dá pano para mangas” e um destes dias escrevo sobre isto.

Quando se fala de Pequim ou da China em geral há um monumento que nos vem logo ao pensamento: a Grande Muralha. A “Chángchéng”, como é conhecida pelos chineses, é o mais longo muro do mundo (com quase  21200 km) e fica a cerca de uma hora de carro a partir de nossa casa…num dia bom, sem muito trânsito! A Grande Muralha está para Pequim como a Torre Eiffel está para Paris, o Big Ben para Londres ou a Torre dos Clérigos para o Porto, mas em Pequim há muitos mais monumentos (muitos deles Património da Humanidade) para visitar e são (quase) todos tão gigantescos que dificilmente se consegue conhecer todos numa simples viagem turística de uma ou até duas semanas. Entre os monumentos de Pequim que integram a lista da Unesco estão: A Cidade Proibida (considerado o maior palácio do mundo com 800 edifícios), o Templo do Céu, o Palácio de Verão, os Túmulos Imperiais das Dinastias Ming e Qing, Zhoukoudian (aldeia perto de Pequim onde foram encontrados vestígios do Homem de Pequim), o Grande Canal e, a já mencionada, Grande Muralha. Há, portanto, muito que visitar e muitos outros que, não fazendo parte da dita lista, valem a pena uma visita. É o caso da Praça Tiananmen que é considerada a maior praça do mundo. Lá está…mais um recorde! 

E, finalmente, o pior prémio…de cidade mais poluída. Na verdade, apesar dos valores andarem sempre muito altos (se comparados com Portugal por exemplo), há também dias muito bons em Pequim e, dizem os especialistas, muito tem melhorado nos últimos anos. Na semana passada tivemos valores acima dos 600, neste momento estamos com 214 (no Porto estão 18!!), mas, na verdade, a cidade não ganha este prémio pois há outras (maioritariamente na Índia) que estão bem pior. 

Basicamente aqui é tudo em grande. Dos monumentos aos centros comerciais, do metro ao aeroporto…é caso para dizer: à grande e à chinesa! 

mapa do município de Pequim

mapa parcial do metro de Pequim

Numa das visitas à Grande Muralha

Palácio de Verão 

Valores altíssimos de poluição na semana passada